LUCAS-CAPTULO-1
1 Tendo, pois, muitos empreendido pr em ordem a narrao dos
fatos que entre ns se cumpriram,
2 segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde
o princpio e foram ministros da palavra,
3 pareceu-me tambm a mim conveniente descrev-los a ti, 
excelentssimo Tefilo, por sua ordem, havendo-me j informado
minuciosamente de tudo desde o princpio,
4 para que conheas (1) {realmente} a certeza das coisas de que
j ests informado. (1){Gr. epiginoskei: conheas conscientemente e
entendas completamente}
5 Existiu, no tempo de Herodes, rei da Judia, um sacerdote,
chamado Zacarias, da ordem de Abias, e cuja mulher era das filhas de
Aro; o nome dela era Isabel. {Heb. Elizabeth}
6 E eram ambos justos perante Deus, vivendo irrepreensivelmente
em todos os mandamentos e preceitos do Senhor.
7 E no tinham filhos, porque Isabel era estril, e ambos eram
avanados em idade.
8 E aconteceu que, exercendo ele o sacerdcio diante de Deus,
na ordem da sua turma,
9 segundo o costume sacerdotal, coube-lhe em sorte entrar no
templo do Senhor para oferecer o incenso.
10 E toda a multido do povo estava fora, orando,  hora do
incenso.
11 Ento, um anjo do Senhor lhe apareceu, posto em p, 
direita do altar do incenso.
12 E Zacarias, vendo -o, turbou-se, e caiu temor sobre ele.
13 Mas o anjo lhe disse: Zacarias, no temas, porque a tua
orao foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dar  luz um filho, e lhe
pors o nome de Joo.
14 E ters prazer e alegria, e muitos se alegraro no seu
nascimento,
15 porque ser grande diante do Senhor, e no beber vinho, nem
bebida {Gr. sikera} forte, e ser cheio do Esprito Santo, j desde o
ventre de sua me.
16 E converter muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu
Deus,
17 e ir adiante dele no esprito e virtude de Elias, para
converter o corao dos pais aos filhos e os rebeldes,  prudncia dos
justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto.
18 Disse, ento, Zacarias ao anjo: Como saberei isso? Pois eu
j sou velho, e minha mulher, avanada em idade.
19 E, respondendo o anjo, disse-lhe: Eu sou Gabriel, que
assisto diante de Deus, e fui enviado a falar-te e dar-te estas
alegres novas.
20 Todavia ficars mudo e no poders falar at ao dia em que
estas coisas aconteam, porquanto no creste nas minhas palavras, que
a seu tempo se ho de cumprir.
21 E o povo estava esperando a Zacarias e maravilhava-se de que
tanto se demorasse no templo.
22 E, saindo ele, no lhes podia falar; e entenderam que tivera
alguma viso no templo. E falava por acenos e ficou mudo.
23 E sucedeu que, terminados os dias de seu ministrio, voltou
para sua casa.
24 E, depois daqueles dias, Isabel, sua mulher, concebeu e, por
cinco meses, se ocultou, dizendo:
25 Assim me fez o Senhor, nos dias em que atentou em mim, para
destruir o meu oprbrio entre os homens.
26 E, no sexto ms, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma
cidade da Galilia, chamada Nazar,
27 a uma virgem desposada com um varo cujo nome era Jos, da
casa de Davi; e o nome da virgem era Maria.
28 E, entrando o anjo onde ela estava, disse: Salve, {Eu te
sado, mui favorecida} agraciada; o Senhor  contigo; bendita s tu
entre as mulheres.
29 E, vendo-o ela, turbou-se muito com aquelas palavras e
considerava que saudao seria esta.
30 Disse-lhe, ento, o anjo: Maria, no temas, porque achaste
graa diante de Deus,
31 E eis que em teu ventre concebers, e dars  luz um filho,
e pr-lhe-s o nome de Jesus.
32 Este ser grande e ser chamado Filho do Altssimo; e o
Senhor Deus lhe dar o trono de Davi, seu pai,
33 e reinar eternamente na casa de Jac, e o seu Reino no
ter fim.
34 E disse Maria ao anjo: Como se far isso, visto que no
conheo varo?
35 E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descer sobre ti o
Esprito Santo, e a virtude do Altssimo te cobrir com a sua sombra;
pelo que tambm o Santo, que de ti h de nascer, ser chamado Filho de
Deus.
36 E eis que tambm Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua
velhice; e  este o sexto ms para aquela que era chamada estril.
37 Porque para Deus nada  impossvel.
38 Disse, ento, Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se
em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela.
39 E, naqueles dias, levantando-se Maria, foi apressada s
montanhas, a uma cidade de Jud,
40 e entrou em casa de Zacarias, e saudou a Isabel.
41 E aconteceu que, ao ouvir Isabel a saudao de Maria, a
criancinha saltou no seu ventre; e Isabel foi cheia do Esprito Santo,
42 e exclamou com grande voz, e disse: Bendita s tu entre as
mulheres, e  bendito o fruto do teu ventre!
43 E de onde me provm isso a mim, que venha visitar-me a me
do meu Senhor?
44 Pois eis que, ao chegar aos meus ouvidos a voz da tua
saudao, a criancinha saltou de alegria no meu ventre.
45 Bem-aventurada a que creu, pois ho de cumprir-se as coisas
que da parte do Senhor lhe foram ditas!
46 Disse, ento, Maria: A minha alma engrandece ao Senhor,
47 e o meu esprito se alegra em Deus, meu Salvador,
48 porque atentou na humildade de sua serva; pois eis que,
desde agora, todas as geraes me chamaro bem-aventurada.
49 Porque me fez grandes coisas o Poderoso; e Santo  o seu
nome.
50 E a sua misericrdia  de gerao em gerao sobre os que o
temem.
51 Com o seu brao, agiu valorosamente, dissipou os soberbos no
pensamento de seu corao,
52 deps dos tronos os poderosos e elevou os humildes;
53 encheu de bens os famintos, despediu vazios os ricos,
54 e auxiliou a Israel, seu servo, recordando-se da sua
misericrdia
55 (como falou a nossos pais) para com Abrao e sua
posteridade, para sempre.
56 E Maria ficou com ela quase trs meses e depois voltou para
sua casa.
57 E completou-se para Isabel o tempo de dar  luz, e teve um
filho.
58 E os seus vizinhos e parentes ouviram que tinha Deus usado
para com ela de grande misericrdia e alegraram-se com ela.
59 E aconteceu que, ao oitavo dia, vieram circuncidar o menino
e lhe chamavam Zacarias, o nome de seu pai.
60 E, respondendo sua me, disse: No, porm ser chamado Joo.
61 E disseram-lhe: Ningum h na tua parentela que se chame por
este nome.
62 E perguntaram, por acenos, ao pai como queria que lhe
chamassem.
63 E, pedindo ele uma tabuinha de escrever, escreveu, dizendo:
O seu nome  Joo. E todos se maravilharam.
64 E logo a boca se lhe abriu, e a lngua se lhe soltou; e
falava, louvando a Deus.
65 E veio temor sobre todos os seus vizinhos, e em todas as
montanhas da Judia foram divulgadas todas essas coisas.
66 E todos os que as ouviam as conservavam em seu corao,
dizendo: Quem ser, pois, este menino? E a mo do Senhor estava com
ele.
67 E Zacarias, seu pai, foi cheio do Esprito Santo e
profetizou, dizendo:
68 Bendito o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e remiu o
seu povo!
69 E nos levantou uma {Gr. um chifre da salvao} salvao
poderosa na casa de Davi, seu servo,
70 como falou pela boca dos seus santos profetas, desde o
princpio do mundo,
71 para nos livrar dos nossos inimigos e das mos de todos os
que nos aborrecem
72 e para manifestar misericrdia a nossos pais, e para
lembrar-se do seu santo concerto
73 e do juramento que jurou a Abrao, nosso pai,
74 de conceder-nos que, libertados das mos de nossos inimigos,
o servssemos sem temor,
75 em santidade e justia perante ele, todos os dias da nossa
vida.
76 E tu,  menino, sers chamado profeta do Altssimo, porque
hs de ir ante a face do Senhor, a preparar os seus caminhos,
77 para dar ao seu povo conhecimento da salvao, na remisso
dos seus pecados,
78 pelas entranhas da misericrdia do nosso Deus, com que o
oriente do alto nos visitou,
79 para alumiar os que esto assentados em trevas e sombra de
morte, a fim de dirigir os nossos ps pelo caminho da paz.
80 E o menino crescia, e se robustecia em esprito, e esteve
nos desertos at ao dia em que havia de mostrar-se a Israel.

LUCAS-CAPITULO-2
1 E aconteceu, naqueles dias, que saiu um decreto da parte de
Csar Augusto, para que todo o mundo se alistasse.
2 (Este primeiro alistamento foi feito sendo Cirnio governador
da Sria.)
3 E todos iam alistar-se, cada um  sua prpria cidade.
4 E subiu da Galilia tambm Jos, da cidade de Nazar, 
Judia,  cidade de Davi chamada Belm (porque era da casa e famlia
de Davi),
5 a fim de alistar-se com Maria, sua mulher, que estava
grvida.
6 E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em
que ela havia de dar  luz.
7 E deu  luz o seu filho primognito, e envolveu-o em panos, e
deitou-o numa manjedoura, porque no havia lugar para eles na
estalagem.
8 Ora, havia, naquela mesma comarca, pastores que estavam no
campo e guardavam durante as viglias da noite o seu rebanho.
9 E eis que um anjo do Senhor veio sobre eles, e a glria do
Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor.
10 E o anjo lhes disse: No temais, porque eis aqui vos trago
novas de grande alegria, que ser para todo o povo,
11 pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que 
Cristo, o Senhor.
12 E isto vos ser por sinal: achareis o menino envolto em
panos e deitado numa manjedoura.
13 E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multido dos
exrcitos celestiais, louvando a Deus e dizendo:
14 Glria a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para
com os homens!
15 E aconteceu que, ausentando-se deles os anjos para o cu,
disseram os pastores uns aos outros: Vamos, pois, at Belm e vejamos
isso que aconteceu e que o Senhor nos fez saber.
16 E foram apressadamente e acharam Maria, e Jos, e o menino
deitado na manjedoura.
17 E, vendo-o, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes
fora dita.
18 E todos os que a ouviram se maravilharam do que os pastores
lhes diziam.
19 Mas Maria guardava todas essas coisas, conferindo-as em seu
corao.
20 E voltaram os pastores glorificando e louvando a Deus por
tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes havia sido dito.
21 E, quando os oito dias foram cumpridos para circuncidar o
menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto
antes de ser concebido.
22 E, cumprindo-se os dias da purificao, segundo a lei de
Moiss, o levaram a Jerusalm, para o apresentarem ao Senhor
23 (segundo o que est escrito na lei do Senhor: Todo macho
primognito ser consagrado ao Senhor)
24 e para darem a oferta segundo o disposto na lei do Senhor:
um par de rolas ou dois pombinhos.
25 Havia em Jerusalm um homem cujo nome era Simeo; e este
homem era justo e temente a Deus, esperando a consolao de Israel; e
o Esprito Santo estava sobre ele.
26 E fora-lhe revelado pelo Esprito Santo que ele no morreria
antes de ter visto o Cristo do Senhor.
27 E, pelo Esprito, foi ao templo e, quando os pais trouxeram
o menino Jesus, para com ele procederem segundo o uso da lei,
28 ele, ento, o tomou em seus braos, e louvou a Deus, e
disse:
29 Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a
tua palavra,
30 pois j os meus olhos viram a tua salvao,
31 a qual tu preparaste perante a face de todos os povos,
32 luz para alumiar as naes e para glria de teu povo Israel.
33 Jos e Maria se maravilharam das coisas que dele se diziam.
34 E Simeo os abenoou e disse  Maria, sua me: Eis que este
 posto para queda e elevao de muitos em Israel e para sinal que 
contraditado
35 (e uma espada traspassar tambm a tua prpria alma), para
que se manifestem os pensamentos de muitos coraes.
36 E estava ali a profetisa Ana, filha de Fanuel, da tribo de
Aser. Esta era j avanada em idade, e tinha vivido com o marido sete
anos, desde a sua virgindade,
37 e era viva, de quase oitenta e quatro anos, e no se
afastava do templo, servindo a Deus em jejuns e oraes, de noite e de
dia.
38 E, sobrevindo na mesma hora, ela dava graas a Deus e falava
dele a todos os que esperavam a redeno em Jerusalm.
39 E, quando acabaram de cumprir tudo segundo a lei do Senhor,
voltaram  Galilia, para a sua cidade de Nazar.
40 E o menino crescia e se fortalecia em esprito, cheio de
sabedoria; e a graa de Deus estava sobre ele.
41 Ora, todos os anos, iam seus pais a Jerusalm,  Festa da
Pscoa.
42 E, tendo ele j doze anos, subiram a Jerusalm, segundo o
costume do dia da festa.
43 E, regressando eles, terminados aqueles dias, ficou o menino
Jesus em Jerusalm, e no o souberam seus pais.
44 Pensando, porm, eles que viria de companhia pelo caminho,
andaram caminho de um dia e procuravam-no entre os parentes e
conhecidos.
45 E, como o no encontrassem, voltaram a Jerusalm em busca
dele.
46 E aconteceu que, passados trs dias, o acharam no templo,
assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os.
47 E todos os que o ouviam admiravam a sua inteligncia e
respostas.
48 E, quando o viram, maravilharam-se, e disse-lhe sua me:
Filho, por que fizeste assim para conosco? Eis que teu pai e eu,
ansiosos, te procurvamos.
49 E ele lhes disse: Por que  que me procurveis? No sabeis
que me convm tratar dos negcios de meu Pai?
50 E eles no compreenderam as palavras que lhes dizia.
51 E desceu com eles, e foi para Nazar, e era-lhes sujeito. E
sua me guardava no corao todas essas coisas.
52 E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graa para
com Deus e os homens.

LUCAS-CAPITULO-3
1  E, no ano quinze do imprio de Tibrio Csar, sendo Pncio
Pilatos governador da Judia, e Herodes, tetrarca da Galilia, e seu
irmo Filipe, tetrarca da Ituria e da provncia de Traconites, e
Lisnias, tetrarca de Abilene,
2 sendo Ans e Caifs sumos sacerdotes, veio no deserto a
palavra de Deus a Joo, filho de Zacarias.
3 E percorreu toda a terra ao redor do Jordo, pregando o
batismo de arrependimento, para o perdo dos pecados,
4 segundo o que est escrito no livro das palavras do profeta
Isaas, que diz: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do
Senhor; endireitai as suas veredas.
5 Todo vale se encher, e se abaixar todo monte e outeiro; e o
que  tortuoso se endireitar, e os caminhos escabrosos se aplanaro;
6 e toda carne ver a salvao de Deus.
7 Dizia, pois, Joo  multido que saa para ser batizada por
ele: Raa de vboras, quem vos ensinou a fugir da ira que est para
vir?
8 Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento e no comeceis
a dizer em vs mesmos: Temos Abrao por pai, porque eu vos digo que
at destas pedras pode Deus suscitar filhos a Abrao.
9 E tambm j est posto o machado  raiz das rvores; toda
rvore, pois, que no d bom fruto  cortada e lanada no fogo.
10 E a multido o interrogava, dizendo: Que faremos, pois?
11 E, respondendo ele, disse-lhes: Quem tiver duas tnicas, que
reparta com o que no tem, e quem tiver alimentos, que faa da mesma
maneira.
12 E chegaram tambm uns publicanos, para serem batizados, e
disseram-lhe: Mestre, que devemos fazer?
13 E ele lhes disse: No peais mais do que aquilo que vos est
ordenado.
14 E uns soldados o interrogaram tambm, dizendo: E ns, que
faremos? E ele lhes disse: A ningum trateis mal, nem defraudeis e
contentai-vos com o vosso soldo.
15 E, estando o povo em expectao e pensando todos de Joo, em
seus coraes, se, porventura, seria o Cristo,
16 respondeu Joo a todos, dizendo: Eu, na verdade, batizo-vos
com gua, mas eis que vem aquele que  mais poderoso do que eu, a quem
eu no sou digno de desatar a correia das sandlias; este vos batizar
com o Esprito Santo e com fogo.
17 Ele tem a p na sua mo, e limpar a sua eira, e ajuntar o
trigo no seu celeiro, mas queimar a palha com fogo que nunca se
apaga.
18 E assim admoestando-os, muitas outras coisas tambm
anunciava ao povo.
19 Sendo, porm, o tetrarca Herodes repreendido por ele por
causa de Herodias, mulher de seu irmo Filipe, e por todas as maldades
que Herodes tinha feito,
20 acrescentou a todas as outras ainda esta, a de encerrar Joo
num crcere.
21 E aconteceu que, como todo o povo se batizava, sendo
batizado tambm Jesus, orando ele, o cu se abriu,
22 e o Esprito Santo desceu sobre ele em forma corprea, como
uma pomba; e ouviu-se uma voz do cu, que dizia: Tu s meu Filho
amado; em ti me comprazo.
23 E o mesmo Jesus comeava a ser de quase trinta anos, sendo
(como se cuidava) filho de Jos, e Jos, de Eli,
24 e Eli, de Matate, e Matate, de Levi, e Levi, de Melqui, e
Melqui, de Janai, e Janai, de Jos,
25 e Jos, de Matatias, e Matatias, de Ams, e Ams, de Naum, e
Naum, de Esli, e Esli, de Nagai,
26 e Nagai, de Maate, e Maate, de Matatias, e Matatias, de
Semei, e Semei, de Jos, e Jos, de Jod,
27 e Jod, de Joan, e Joan, de Resa, e Resa, de Zorobabel, e
Zorobabel, de Salatiel, e Salatiel, de Neri,
28 e Neri, de Melqui, e Melqui, de Adi, e Adi, de Cos, e Cos,
de Elmad, e Elmad, de Er,
29 e Er, de Josu, e Josu, de Elizer, e Elizer, de Jorim, e
Jorim, de Mat, e Mat de Levi,
30 e Levi, de Simeo, e Simeo, de Jud, e Jud, de Jos, e
Jos, de Jon, e Jon, de Eliaquim,
31 e Eliaquim, de Mele, e Mele, de Men, e Men, de Matat, e
Matat, de Nat, e Nat, de Davi,
32 e Davi, de Jess, e Jess, de Obede, e Obede, de Boaz, e
Boaz, de Sal, e Sal, de Naassom,
33 e Naassom, de Aminadabe, e Aminadabe, de Aro, e Aro, de
Esrom, e Esrom, de Perez, e Perez, de Jud,
34 e Jud, de Jac, e Jac, de Isaque, e Isaque, de Abrao, e
Abrao, de Tera, e Tera de Naor,
35 e Naor, de Seruque, e Seruque, de Raga, e Raga, de
Faleque, e Faleque, de ber, e ber, de Sal,
36 e Sal, de Cain, e Cain, de Arfaxade, e Arfaxade, de Sem,
e Sem, de No, e No, de Lameque,
37 e Lameque, de Matusalm, e Matusalm, de Enoque, e Enoque,
de Jarede, e Jarede, de Maalalel, e Maalalel, de Cain,
38 e Cain, de Enos, e Enos, de Sete, e Sete, de Ado, e Ado,
de Deus.

LUCAS-CAPITULO-4
1 E Jesus, cheio do Esprito Santo, voltou do Jordo e foi
levado pelo Esprito ao deserto.
2 E quarenta dias foi tentado pelo diabo, e, naqueles dias, no
comeu coisa alguma, e, terminados eles, teve fome.
3 E disse-lhe o diabo: Se tu s o Filho de Deus, dize a esta
pedra que se transforme em po.
4 E Jesus lhe respondeu, dizendo: Escrito est que nem s de
po viver o homem, mas de toda palavra de Deus.
5 E o diabo, levando -o a um alto monte, mostrou-lhe, num
momento de tempo, todos os reinos do mundo.
6 E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua
glria, porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero.
7 Portanto, se tu me adorares, tudo ser teu.
8 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Arreda-te Satans, porque
est escrito: Adorars o Senhor, teu Deus, e s a ele servirs.
9 Levou-o tambm a Jerusalm, e p-lo sobre o pinculo do
templo, e disse-lhe: Se tu s o Filho de Deus, lana-te daqui abaixo,
10 porque est escrito: Mandar aos seus anjos, acerca de ti,
que te guardem
11 e que te sustenham nas mos, para que nunca tropeces com o
teu p em alguma pedra.
12 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito est: No tentars ao
Senhor, teu Deus.
13 E, acabando o diabo toda a tentao, ausentou-se dele por
algum tempo.
14 Ento, pela virtude do Esprito, voltou Jesus para a
Galilia, e a sua fama correu por todas as terras em derredor.
15 E ensinava nas suas sinagogas e por todos era louvado.
16 E, chegando a Nazar, onde fora criado, entrou num dia de
sbado, segundo o seu costume, na sinagoga e levantou-se para ler.
17 E foi-lhe dado o livro do profeta Isaas; e, quando abriu o
livro, achou o lugar em que estava escrito:
18 O Esprito do Senhor  sobre mim, pois que me ungiu para
evangelizar {Gr. euaggelisasthai: pregar boas novas a} os pobres,
enviou-me a curar os quebrantados do corao,
19 a apregoar liberdade {Gr. remisso} aos cativos, a dar vista
aos cegos, a pr em liberdade {Gr. remisso} os oprimidos, a anunciar
o ano aceitvel do Senhor.
20 E, cerrando o livro e tornando a d-lo ao ministro,
assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele.
21 Ento, comeou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura
em vossos ouvidos.
22 E todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam das palavras
de graa que saam da sua boca, e diziam: No  este o filho de Jos?
23 E ele lhes disse: Sem dvida, me direis este provrbio:
Mdico, cura-te a ti mesmo; faze tambm aqui na tua ptria tudo o que
ouvimos ter sido feito em Cafarnaum.
24 E disse: Em verdade vos digo que nenhum profeta  bem
recebido na sua ptria.
25 Em verdade vos digo que muitas vivas existiam em Israel nos
dias de Elias, quando o cu se cerrou por trs anos e seis meses, de
sorte que em toda a terra houve grande fome;
26 e a nenhuma delas foi enviado Elias, seno a Sarepta de
Sidom, a uma mulher viva.
27 E muitos leprosos havia em Israel no tempo do profeta
Eliseu, e nenhum deles foi purificado, seno Naam, o siro.
28 E todos, na sinagoga, ouvindo essas coisas, se encheram de
ira.
29 E, levantando-se, o expulsaram da cidade e o levaram at ao
cume do monte em que a cidade deles estava edificada, para dali o
precipitarem.
30 Ele, porm, passando pelo meio deles, retirou-se.
31 E desceu a Cafarnaum, cidade da Galilia, e os ensinava nos
sbados.
32 E admiravam-se da sua doutrina, porque a sua palavra era com
autoridade.
33 E estava na sinagoga um homem que tinha um esprito de um
demnio imundo, e exclamou em alta voz,
34 dizendo: Ah! Que temos ns contigo, Jesus Nazareno? Vieste a
destruir-nos? Bem sei quem s: o Santo de Deus.
35 E Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te e sai dele. E o
demnio, lanando-o por terra no meio do povo, saiu dele, sem lhe
fazer mal.
36 E veio espanto sobre todos, e falavam uns e outros, dizendo:
Que palavra  esta, que at aos espritos imundos manda com autoridade
e poder, e eles saem?
37 E a sua fama divulgava-se por todos os lugares, em redor
daquela comarca.
38 Ora, levantando-se Jesus da sinagoga, entrou em casa de
Simo; e a sogra de Simo estava enferma com muita febre; e
rogaram-lhe por ela.
39 E, inclinando-se para ela, repreendeu a febre, e esta a
deixou. E ela, levantando-se logo, servia-os.
40 E, ao pr-do-sol, todos os que tinham enfermos de vrias
doenas lhos traziam; e, impondo as mos sobre cada um deles, os
curava.
41 E tambm de muitos saam demnios, clamando e dizendo: Tu s
o Cristo, o Filho de Deus. E ele, repreendendo-os, no os deixava
falar, pois sabiam que ele era o Cristo.
42 E, sendo j dia, saiu e foi para um lugar deserto; e a
multido o procurava e chegou junto dele; e o detinham, para que no
se ausentasse deles.
43 Ele, porm, lhes disse: Tambm  necessrio que eu anuncie a
outras cidades o evangelho do Reino de Deus, porque para isso fui
enviado.
44 E pregava nas sinagogas da Galilia.

LUCAS-CAPITULO-5
1 E aconteceu que, apertando-o a multido para ouvir a palavra
de Deus, estava ele junto ao lago de Genesar.
2 E viu estar dois barcos junto  praia do lago; e os
pescadores, havendo descido deles, estavam lavando as redes.
3 E, entrando num dos barcos, que era o de Simo, pediu-lhe que
o afastasse um pouco da terra; e, assentando-se, ensinava do barco a
multido.
4 E, quando acabou de falar, disse a Simo: faze-te ao mar
alto, e lanai as vossas redes para pescar.
5 E, respondendo Simo, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado
toda a noite, nada apanhamos; mas, sobre a tua palavra, lanarei a
rede.
6 E, fazendo assim, colheram uma grande quantidade de peixes, e
rompia-se-lhes a rede.
7 E fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco,
para que os fossem ajudar. E foram e encheram ambos os barcos, de
maneira tal que quase iam a pique.
8 E, vendo isso Simo Pedro, prostrou-se aos ps de Jesus,
dizendo: Senhor, ausenta-te de mim, por que sou um homem pecador.
9 Pois que o espanto se apoderara dele e de todos os que com
ele estavam, por causa da pesca que haviam feito,
10 e, de igual modo, tambm de Tiago e Joo, filhos de Zebedeu,
que eram companheiros de Simo. E disse Jesus a Simo: No temas; de
agora em diante, sers pescador de homens.
11 E, levando os barcos para terra, deixaram tudo e o seguiram.
12 E aconteceu que, quando estava em uma daquelas cidades, eis
que um homem cheio de lepra, vendo a Jesus, prostrou-se sobre o rosto
e rogou-lhe, dizendo: Senhor, se quiseres, bem podes limpar-me.
13 E ele, estendendo a mo, tocou-lhe, dizendo: Quero; s
limpo. E logo a lepra desapareceu dele.
14 E ordenou-lhe que a ningum o dissesse. Mas disse-lhe: Vai,
mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificao, o que Moiss
determinou, para que lhes sirva de testemunho.
15 Porm a sua fama se propagava ainda mais, e ajuntava-se
muita gente para o ouvir e para ser por ele curada das suas
enfermidades.
16 Porm ele retirava-se para os desertos e ali orava.
17 E aconteceu que, em um daqueles dias, estava ensinando, e
estavam ali assentados fariseus e doutores da lei que tinham vindo de
todas as aldeias da Galilia, e da Judia, e de Jerusalm. E a virtude
do Senhor estava com ele para curar.
18 E eis que uns homens transportaram numa cama um homem que
estava paraltico e procuravam faz-lo entrar e p-lo diante dele.
19 E, no achando por onde o pudessem levar, por causa da
multido, subiram ao telhado e, por entre as telhas, o baixaram com a
cama at ao meio, diante de Jesus.
20 E, vendo-lhes a f, Jesus disse ao paraltico: Homem, os
teus pecados te so perdoados.
21 E os escribas e os fariseus comearam a arrazoar, dizendo:
Quem  este que diz blasfmias? Quem pode perdoar pecados, seno Deus?
22 Jesus, porm, conhecendo os seus pensamentos, respondeu e
disse-lhes: Que arrazoais em vosso corao?
23 Qual  mais fcil? Dizer: Os teus pecados te so perdoados,
ou dizer: Levanta-te e anda?
24 Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra
poder de perdoar pecados (disse ao paraltico), eu te digo:
Levanta-te, toma a tua cama e vai para tua casa.
25 E, levantando-se logo diante deles e tomando a cama em que
estava deitado, foi para sua casa glorificando a Deus.
26 E todos ficaram maravilhados, e glorificaram a Deus, e
ficaram cheios de temor, dizendo: Hoje, vimos prodgios.
27 E, depois disso, saiu, e viu um publicano, chamado Levi,
assentado na recebedoria, e disse-lhe: Segue-me.
28 E ele, deixando tudo, levantou-se e o seguiu.
29 E fez-lhe Levi um grande banquete em sua casa; e havia ali
uma multido de publicanos e outros que estavam com eles  mesa.
30 E os escribas deles e os fariseus murmuravam contra os seus
discpulos, dizendo: Por que comeis e bebeis com publicanos e
pecadores?
31 E Jesus, respondendo, disse-lhes: No necessitam de mdico
os que esto sos, mas sim os que esto enfermos.
32 Eu no vim chamar os justos, mas sim os pecadores, ao
arrependimento.
33 Disseram-lhe, ento, eles: Por que jejuam muitas vezes os
discpulos de Joo e fazem oraes, como tambm os dos fariseus, mas
os teus comem e bebem?
34 E ele lhes disse: Podeis vs fazer jejuar os convidados das
bodas, enquanto o esposo est com eles?
35 Dias viro, porm, em que o esposo lhes ser tirado, e,
ento, naqueles dias, jejuaro.
36 E disse-lhes tambm uma parbola: Ningum tira um pedao de
uma veste nova para o coser em veste velha, pois que romper a nova, e
o remendo no condiz com a veste velha.
37 E ningum pe vinho novo em odres velhos; de outra sorte, o
vinho novo romper os odres e entornar-se - o vinho, e os odres se
estragaro.
38 Mas o vinho novo deve ser posto em odres novos, e ambos
juntamente se conservaro.
39 E ningum, tendo bebido o velho, quer logo o novo, porque
diz: Melhor  o velho.

LUCAS-CAPITULO-6
1 E aconteceu que, no segundo sbado primeiro, passou pelas
searas, e os seus discpulos iam arrancando espigas e, esfregando-as
com as mos, as comiam.
2 E alguns dos fariseus lhes disseram: Por que fazeis o que no
 lcito fazer nos sbados?
3 E Jesus, respondendo-lhes, disse: Nunca lestes o que fez Davi
quando teve fome, ele e os que com ele estavam?
4 Como entrou na Casa de Deus, e tomou os pes da proposio, e
os comeu, e deu tambm aos que estavam com ele, os quais no lhes era
lcito comer, seno s aos sacerdotes?
5 E dizia-lhes: O Filho do Homem  senhor at do sbado.
6 E aconteceu tambm, em outro sbado, que entrou na sinagoga e
estava ensinando; e havia ali um homem que tinha a mo direita
mirrada.
7 E os escribas e fariseus atentavam nele, se o curaria no
sbado, para acharem de que o acusar.
8 Mas ele, conhecendo bem os seus pensamentos, disse ao homem
que tinha a mo mirrada: Levanta-te e fica em p no meio. E,
levantando-se ele, ficou em p.
9 Ento, Jesus lhes disse: Uma coisa vos hei de perguntar: 
lcito nos sbados fazer bem ou fazer mal? Salvar a vida ou matar?
10 E, olhando para todos ao redor, disse ao homem: Estende a
mo. E ele assim o fez, e a mo lhe foi restituda s como a outra.
11 E ficaram cheios de furor, e uns com os outros
conferenciavam sobre o que fariam a Jesus.
12 E aconteceu que, naqueles dias, subiu ao monte a orar e
passou a noite em orao a Deus.
13 E, quando j era dia, chamou a si os seus discpulos, e
escolheu doze deles, a quem tambm deu o nome de apstolos:
14 Simo, ao qual tambm chamou Pedro, e Andr, seu irmo;
Tiago e Joo; Filipe e Bartolomeu;
15 Mateus e Tom; Tiago, filho de Alfeu, e Simo, chamado
Zelote;
16 Judas, filho {ou irmo} de Tiago, e Judas Iscariotes, que
foi o traidor.
17 E, descendo com eles, parou num lugar plano, e tambm um
grande nmero de seus discpulos, e grande multido do povo de toda a
Judia, e de Jerusalm, e da costa martima de Tiro e de Sidom;
18 os quais tinham vindo para o ouvir e serem curados das suas
enfermidades, como tambm os atormentados dos espritos imundos. E
eram curados.
19 E toda a multido procurava tocar-lhe, porque saa dele
virtude que curava todos.
20 E, levantando ele os olhos para os seus discpulos, dizia:
Bem-aventurados vs, os pobres, porque vosso  o Reino de Deus.
21 Bem-aventurados vs, que agora tendes fome, porque sereis
fartos. Bem-aventurados vs, que agora chorais, porque haveis de rir.
22 Bem-aventurados sereis quando os homens vos aborrecerem, e
quando vos separarem, e vos injuriarem, e rejeitarem o vosso nome como
mau, por causa do Filho do Homem.
23 Folgai nesse dia, exultai, porque  grande o vosso galardo
no cu, pois assim faziam os seus pais aos profetas.
24 Mas ai de vs, ricos! Porque j tendes a vossa consolao.
25 Ai de vs, os que estais fartos, porque tereis fome! Ai de
vs, os que agora rides, porque vos lamentareis e chorareis!
26 Ai de vs quando todos os homens falarem bem de vs, porque
assim faziam seus pais aos falsos profetas!
27 Mas a vs, que ouvis, digo: Amai a vossos inimigos, fazei
bem aos que vos aborrecem,
28 bendizei os que vos maldizem e orai pelos que vos caluniam.
29 Ao que te ferir numa face, oferece-lhe tambm a outra; e ao
que te houver tirado a capa, nem a tnica recuses.
30 E d a qualquer que te pedir; e ao que tomar o que  teu,
no lho tornes a pedir.
31 E como vs quereis que os homens vos faam, da mesma maneira
fazei-lhes vs tambm.
32 E, se amardes aos que vos amam, que (1) recompensa tereis?
Tambm os pecadores amam aos que os amam. (1){Gr. umin charis estin:
graa te }
33 E, se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que (1) recompensa
tereis? Tambm os pecadores fazem o mesmo. (1){Gr. umin charis estin:
graa te }
34 E, se emprestardes queles de quem esperais tornar a
receber, que recompensa tereis? Tambm os pecadores emprestam aos
pecadores, para tornarem a receber outro tanto.
35 Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei o bem, e emprestai,
sem nada esperardes, e ser grande o vosso galardo, e sereis filhos
do Altssimo; porque ele  benigno at para com os ingratos e maus.
36 Sede, pois, misericordiosos, como tambm vosso Pai 
misericordioso.
37 No julgueis, e no sereis julgados; no condeneis, e no
sereis condenados; soltai, e soltar-vos-o.
38 Dai, e ser-vos - dado; boa medida, recalcada, sacudida e
transbordando vos daro {em vosso regao}; porque com a mesma medida
com que medirdes tambm vos mediro de novo.
39 E disse-lhes uma parbola: Pode, porventura, um cego guiar
outro cego? No cairo ambos na cova?
40 O discpulo no  superior a seu mestre, mas todo o que for
perfeito ser como o seu mestre.
41 E por que atentas tu no argueiro que est no olho do teu
irmo e no reparas na trave que est no teu prprio olho?
42 Ou como podes dizer a teu irmo: Irmo, deixa-me tirar o
argueiro que est no teu olho, no atentando tu mesmo na trave que
est no teu olho? Hipcrita, tira primeiro a trave do teu olho e,
ento, vers bem para tirar o argueiro que est no olho de teu irmo.
43 Porque no h boa rvore que d mau fruto, nem m rvore que
d bom fruto.
44 Porque cada rvore se conhece pelo seu prprio fruto; pois
no se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos
abrolhos.
45 O homem bom, do bom tesouro do seu corao, tira o bem, e o
homem mau, do mau tesouro do seu corao, tira o mal, porque da
abundncia do seu corao fala a boca.
46 E por que me chamais Senhor, Senhor, e no fazeis o que eu
digo?
47 Qualquer que vem a mim, e ouve as minhas palavras, e as
observa, eu vos mostrarei a quem  semelhante.
48  semelhante ao homem que edificou uma casa, e cavou, e
abriu bem fundo, e ps os alicerces sobre rocha; e, vindo a enchente,
bateu com mpeto a corrente naquela casa e no a pde abalar, porque
estava fundada sobre rocha.
49 Mas o que ouve e no pratica  semelhante ao homem que
edificou uma casa sobre terra, sem alicerces, na qual bateu com mpeto
a corrente, e logo caiu; e foi grande a runa daquela casa.

LUCAS-CAPITULO-7
1 E, depois de concluir todos esses discursos perante o povo,
entrou em Cafarnaum.
2 E o servo de um certo centurio, a quem este muito estimava,
estava doente e moribundo.
3 E, quando ouviu falar de Jesus, enviou-lhe uns ancios dos
judeus, rogando-lhe que viesse curar o seu servo.
4 E, chegando eles junto de Jesus, rogaram-lhe muito, dizendo:
 digno de que lhe concedas isso.
5 Porque ama a nossa nao e ele mesmo nos edificou a sinagoga.
6 E foi Jesus com eles; mas, quando j estava perto da casa,
enviou-lhe o centurio uns amigos, dizendo-lhe: Senhor, no te
incomodes, porque no sou digno de que entres debaixo do meu telhado;
7 e, por isso, nem ainda me julguei digno de ir ter contigo;
dize, porm, uma palavra, e o meu criado sarar.
8 Porque tambm eu sou homem sujeito  autoridade, e tenho
soldados sob o meu poder, e digo a este: vai; e ele vai; e a outro:
vem; e ele vem; e ao meu servo: faze isto; e ele o faz.
9 E, ouvindo isso, Jesus maravilhou-se dele e, voltando-se,
disse  multido que o seguia: Digo-vos que nem ainda em Israel tenho
achado tanta f.
10 E, voltando para casa os que foram enviados, acharam so o
servo enfermo.
11 E aconteceu, pouco depois, ir ele  cidade chamada Naim, e
com ele iam muitos dos seus discpulos e uma grande multido.
12 E, quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam
um defunto, filho nico de sua me, que era viva; e com ela ia uma
grande multido da cidade.
13 E, vendo-a, o Senhor moveu-se de ntima compaixo por ela e
disse-lhe: No chores.
14 E, chegando-se, tocou o esquife (e os que o levavam pararam)
e disse: Jovem, eu te digo: Levanta-te.
15 E o defunto assentou-se e comeou a falar. E entregou-o 
sua me.
16 E de todos se apoderou o temor, e glorificavam a Deus,
dizendo: Um grande profeta se levantou entre ns, e Deus visitou o seu
povo.
17 E correu dele esta fama por toda a Judia e por toda a terra
circunvizinha.
18 E os discpulos de Joo anunciaram-lhe todas essas coisas.
19 E Joo, chamando dois dos seus discpulos, enviou-os a
Jesus, dizendo: s tu aquele que havia de vir ou esperamos outro?
20 E, quando aqueles homens chegaram junto dele, disseram: Joo
Batista enviou-nos a perguntar-te: s tu aquele que havia de vir ou
esperamos outro?
21 E, na mesma hora, curou muitos de enfermidades, e males, e
espritos maus; e deu vista a muitos cegos.
22 Respondendo, ento, Jesus, disse-lhes: Ide e anunciai a Joo
o que tendes visto e ouvido: os cegos vem, os coxos andam, os
leprosos so purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos
pobres anuncia-se o evangelho.
23 E bem-aventurado aquele que em mim se no escandalizar.
24 E, tendo-se retirado os mensageiros de Joo, comeou a dizer
 multido acerca de Joo: Que sastes a ver no deserto? Uma cana
abalada pelo vento?
25 Mas que sastes a ver? Um homem trajado de vestes delicadas?
Eis que os que andam com vestes preciosas e em delcias esto nos
paos reais.
26 Mas que sastes a ver? Um profeta? Sim, vos digo, e muito
mais do que profeta.
27 Este  aquele de quem est escrito: Eis que envio o meu anjo
diante da tua face, o qual preparar diante de ti o teu caminho.
28 E eu vos digo que, entre os nascidos de mulheres, no h
maior profeta do que Joo Batista; mas o menor no Reino de Deus 
maior do que ele.
29 E todo o povo que o ouviu e os publicanos, tendo sido
batizados com o batismo de Joo, justificaram a Deus.
30 Mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho
de Deus contra si mesmos, no tendo sido batizados por ele.
31 E disse o Senhor: A quem, pois, compararei os homens desta
gerao, e a quem so semelhantes?
32 So semelhantes aos meninos que, assentados nas praas,
clamam uns aos outros e dizem: Ns vos tocamos flauta, e no
danastes; cantamos lamentaes, e no chorastes.
33 Porque veio Joo Batista, que no comia po nem bebia vinho,
e dizeis: Tem demnio.
34 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: Eis a um
homem comilo e bebedor de vinho, amigo dos publicanos e dos
pecadores.
35 Mas a sabedoria  justificada por todos os seus filhos.
36 E rogou-lhe um dos fariseus que comesse com ele; e, entrando
em casa do fariseu, assentou-se  mesa.
37 E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que
ele estava  mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com
ungento.
38 E, estando por detrs, aos seus ps, chorando, comeou a
regar-lhe os ps com lgrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua
cabea e beijava-lhe os ps, e ungia-lhos com o ungento.
39 Quando isso viu o fariseu que o tinha convidado, falava
consigo, dizendo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual  a
mulher que lhe tocou, pois  uma pecadora.
40 E, respondendo, Jesus disse-lhe: Simo, uma coisa tenho a
dizer-te. E ele disse: Dize-a, Mestre.
41 Um certo credor tinha dois devedores; um devia-lhe
quinhentos dinheiros, e outro, cinqenta.
42 E, no tendo eles com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Dize,
pois: qual deles o amar mais?
43 E Simo, respondendo, disse: Tenho para mim que  aquele a
quem mais perdoou. E ele lhe disse: Julgaste bem.
44 E, voltando-se para a mulher, disse a Simo: Vs tu esta
mulher? Entrei em tua casa, e no me deste gua para os ps; mas esta
regou-me os ps com lgrimas e mos enxugou com os seus cabelos.
45 No me deste sculo, mas esta, desde que entrou, no tem
cessado de me beijar os ps.
46 No me ungiste a cabea com leo, mas esta ungiu-me os ps
com ungento.
47 Por isso, te digo que os seus muitos pecados lhe so
perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco  perdoado pouco
ama.
48 E disse a ela: Os teus pecados te so perdoados.
49 E os que estavam  mesa comearam a dizer entre si: Quem 
este, que at perdoa pecados?
50 E disse  mulher: A tua f te salvou; vai-te em paz.

LUCAS-CAPITULO-8
1 E aconteceu, depois disso, que andava de cidade em cidade e
de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do Reino de
Deus; e os doze iam com ele,
2 e tambm algumas mulheres que haviam sido curadas de
espritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual
saram sete demnios;
3 e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Suzana, e
muitas outras que o serviam com suas fazendas.
4 E, ajuntando-se uma grande multido, e vindo ter com ele
gente de todas as cidades, disse por parbolas:
5 Um semeador saiu a semear a sua semente, e, quando semeava,
caiu alguma junto do caminho e foi pisada, e as aves do cu a comeram.
6 E outra caiu sobre pedra e, nascida, secou-se, pois que no
tinha umidade.
7 E outra caiu entre espinhos, e, crescendo com ela os
espinhos, a sufocaram;
8 E outra caiu em boa terra e, nascida, produziu fruto, cento
por um. Dizendo ele estas coisas, clamava: Quem tem ouvidos para
ouvir, que oua.
9 E os seus discpulos o interrogaram, dizendo: Que parbola 
esta?
10 E ele disse: A vs vos  dado conhecer os mistrios do Reino
de Deus, mas aos outros, por parbolas, para que, vendo, no vejam e,
ouvindo, no entendam.
11 Esta , pois, a parbola: a semente  a palavra de Deus;
12 e os que esto junto do caminho, estes so os que ouvem;
depois, vem o diabo e tira-lhes do corao a palavra, para que se no
salvem, crendo;
13 e os que esto sobre pedra, estes so os que, ouvindo a
palavra, a recebem com alegria, mas, como no tm raiz, apenas crem
por algum tempo e, no tempo da tentao, se desviam;
14 e a que caiu entre espinhos, esses so os que ouviram, e,
indo por diante, so sufocados com os cuidados, e riquezas, e deleites
da vida, e no do fruto com perfeio;
15 e a que caiu em boa terra, esses so os que, ouvindo a
palavra, a conservam num corao honesto e bom e do fruto com {Gr.
com pacincia} perseverana.
16 E ningum, acendendo uma candeia, a cobre com algum vaso ou
a pe debaixo da cama; mas pe-na no velador, para que os que entram
vejam a luz.
17 Porque no h coisa oculta que no haja de manifestar-se,
nem escondida que no haja de saber-se e vir  luz.
18 Vede, pois, como ouvis, porque a qualquer que tiver lhe ser
dado, e a qualquer que no tiver at o que parece ter lhe ser tirado.
19 E foram ter com ele sua me e seus irmos e no podiam
aproximar-se dele, por causa da multido.
20 E foi-lhe dito: Esto l fora tua me e teus irmos, que
querem ver-te.
21 Mas, respondendo ele, disse-lhes: Minha me e meus irmos
so aqueles que ouvem a palavra de Deus e a executam.
22 E aconteceu que, num daqueles dias, entrou num barco com
seus discpulos e disse-lhes: Passemos para a outra banda do lago. E
partiram.
23 E, navegando eles, adormeceu; e sobreveio uma tempestade de
vento no lago, e o barco enchia-se de gua, estando eles em perigo.
24 E, chegando-se a ele, o despertaram, dizendo: Mestre,
Mestre, estamos perecendo. E ele, levantando-se, repreendeu o vento e
a fria da gua; e cessaram, e fez-se bonana.
25 E disse-lhes: Onde est a vossa f? E eles, temendo,
maravilharam-se, dizendo uns aos outros: Quem  este, que at aos
ventos e  gua manda, e lhe obedecem?
26 E navegaram para a terra dos gadarenos, que est defronte da
Galilia.
27 E, quando desceu para terra, saiu-lhe ao encontro, vindo da
cidade, um homem que, desde muito tempo, estava possesso de demnios e
no andava vestido nem habitava em qualquer casa, mas nos sepulcros.
28 E, quando viu a Jesus, prostrou-se diante dele, exclamando e
dizendo com alta voz: Que tenho eu contigo Jesus, Filho do Deus
Altssimo? Peo-te que no me atormentes.
29 Porque tinha ordenado ao esprito imundo que sasse daquele
homem; pois j havia muito tempo que o arrebatava. E guardavam-no
preso com grilhes e cadeias; mas, quebrando as prises, era impelido
pelo demnio para os desertos.
30 E perguntou-lhe Jesus, dizendo: Qual  o teu nome? E ele
disse: Legio; porque tinham entrado nele muitos demnios.
31 E rogavam-lhe que os no mandasse para o abismo.
32 E andava pastando ali no monte uma manada de muitos porcos;
e rogaram-lhe que lhes concedesse entrar neles; e concedeu-lho.
33 E, tendo sado os demnios do homem, entraram nos porcos, e
a manada precipitou-se de um despenhadeiro no lago e afogou-se.
34 E aqueles que os guardavam, vendo o que acontecera, fugiram
e foram anunci-lo na cidade e nos campos.
35 E saram a ver o que tinha acontecido e vieram ter com
Jesus. Acharam, ento, o homem de quem haviam sado os demnios,
vestido e em seu juzo, assentado aos ps de Jesus; e temeram.
36 E os que tinham visto contaram-lhes tambm como fora salvo
aquele endemoninhado.
37 E toda a multido da terra dos gadarenos ao redor lhe rogou
que se retirasse deles, porque estavam possudos de grande temor. E,
entrando ele no barco, voltou.
38 E aquele homem de quem haviam sado os demnios rogou-lhe
que o deixasse estar com ele; mas Jesus o despediu, dizendo:
39 Torna para tua casa e conta quo grandes coisas te fez Deus.
E ele foi apregoando por toda a cidade quo grandes coisas Jesus lhe
tinha feito.
40 E aconteceu que, quando voltou Jesus, a multido o recebeu,
porque todos o estavam esperando.
41 E eis que chegou um varo de nome Jairo, que era prncipe da
sinagoga; e, prostrando-se aos ps de Jesus, rogava-lhe que entrasse
em sua casa;
42 porque tinha uma filha nica, quase de doze anos, que estava
 morte. E, indo ele, apertava-o a multido.
43 E uma mulher, que tinha um fluxo de sangue, havia doze anos,
e gastara com os mdicos todos os seus haveres, e por nenhum pudera
ser curada,
44 chegando por detrs dele, tocou na orla da sua veste, e logo
estancou o fluxo do seu sangue.
45 E disse Jesus: Quem  que me tocou? E, negando todos, disse
Pedro e os que estavam com ele: Mestre, a multido te aperta e te
oprime, e dizes: Quem  que me tocou?
46 E disse Jesus: Algum me tocou, porque bem conheci que de
mim saiu virtude.
47 Ento, vendo a mulher que no podia ocultar-se, aproximou-se
tremendo e, prostrando-se ante ele, declarou-lhe diante de todo o povo
a causa por que lhe havia tocado e como logo sarara.
48 E ele lhe disse: Tem bom nimo, filha, a tua f te salvou;
vai em paz.
49 Estando ele ainda falando, chegou um da casa do prncipe da
sinagoga, dizendo: A tua filha j est morta; no incomodes o Mestre.
50 Jesus, porm, ouvindo-o, respondeu-lhe, dizendo: No temas;
cr somente, e ser salva.
51 E, entrando em casa, a ningum deixou entrar, seno a Pedro,
e a Tiago, e a Joo, e ao pai, e a me da menina.
52 E todos choravam e a pranteavam; e ele disse: No choreis;
no est morta, mas dorme.
53 E riam-se dele, sabendo que estava morta.
54 Mas ele, {pondo-os todos fora, e} pegando-lhe na mo,
clamou, dizendo: Levanta-te, menina!
55 E o seu esprito voltou, e ela logo se levantou; e Jesus
mandou que lhe dessem de comer.
56 E seus pais ficaram maravilhados, e ele lhes mandou que a
ningum dissessem o que havia sucedido.

LUCAS-CAPITULO-9
1 E, convocando os seus doze discpulos, deu-lhes virtude e
poder sobre todos os demnios e para curarem enfermidades;
2 e enviou-os a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos.
3 E disse-lhes: Nada leveis convosco para o caminho, nem
bordes, nem alforje, nem po, nem dinheiro, nem tenhais duas vestes.
4 E, em qualquer casa em que entrardes, ficai ali e de l
saireis.
5 E, se em qualquer cidade vos no receberem, saindo vs dali,
sacudi o p dos vossos ps, em testemunho contra eles.
6 E, saindo eles, percorreram todas as aldeias, anunciando o
evangelho e fazendo curas por toda a parte.
7 E o tetrarca Herodes ouvia tudo o que se passava e estava em
dvida, porque diziam alguns que Joo ressuscitara dos mortos,
8 e outros, que Elias tinha aparecido, e outros, que um profeta
dos antigos havia ressuscitado.
9 E disse Herodes: A Joo mandei eu degolar; quem , pois, este
de quem ouo dizer tais coisas? E procurava v-lo.
10 E, regressando os apstolos, contaram-lhe tudo o que tinham
feito. E, tomando-os consigo, retirou-se para um lugar deserto de uma
cidade chamada Betsaida.
11 E, sabendo-o a multido, o seguiu; e ele os recebeu, e
falava-lhes do Reino de Deus, e sarava os que necessitavam de cura.
12 E j o dia comeava a declinar; ento, chegando-se a ele os
doze, disseram-lhe: Despede a multido, para que, indo aos campos e
aldeias ao redor, se agasalhem e achem o que comer, porque aqui
estamos em lugar deserto.
13 Mas ele lhes disse: Dai-lhes vs de comer. E eles disseram:
No temos seno cinco pes e dois peixes, salvo se ns prprios formos
comprar comida para todo este povo.
14 Porquanto estavam ali quase cinco mil homens. Disse, ento,
aos seus discpulos: Fazei-os assentar, em grupos de cinqenta em
cinqenta.
15 E assim o fizeram, fazendo-os assentar a todos.
16 E, tomando os cinco pes e os dois peixes e olhando para o
cu, abenoou-os, e partiu-os, e deu-os aos seus discpulos para os
porem diante da multido.
17 E comeram todos e saciaram-se; e levantaram, do que lhes
sobejou, doze cestos de pedaos.
18 E aconteceu que, estando ele orando em particular, estavam
com ele os discpulos; e perguntou-lhes, dizendo: Quem diz a multido
que eu sou?
19 E, respondendo eles, disseram: Joo Batista; outros, Elias,
e outros, que um dos antigos profetas ressuscitou.
20 E disse-lhes: E vs quem dizeis que eu sou? E, respondendo
Pedro, disse: O Cristo de Deus.
21 E, admoestando-os, mandou que a ningum referissem isso,
22 dizendo:  necessrio que o Filho do Homem padea muitas
coisas, e seja rejeitado dos ancios e dos escribas, e seja morto, e
ressuscite ao terceiro dia.
23 E dizia a todos: Se algum quer vir aps mim, negue-se a si
mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.
24 Porque qualquer que quiser salvar a sua vida {ou alma}
perd-la -; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida a
salvar.
25 Porque que aproveita ao homem granjear o mundo todo,
perdendo-se ou prejudicando-se a si mesmo?
26 Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se
envergonhar, dele se envergonhar o Filho do Homem, quando vier na sua
glria e na do Pai e dos santos anjos.
27 E em verdade vos digo que, dos que aqui esto, alguns h que
no provaro a morte at que vejam o Reino de Deus.
28 E aconteceu que, quase oito dias depois dessas palavras,
tomou consigo a Pedro, a Joo e a Tiago e subiu ao monte a orar.
29 E, estando ele orando, transfigurou-se a aparncia do seu
rosto, e as suas vestes ficaram brancas e mui resplandecentes.
30 E eis que estavam falando com ele dois vares, que eram
Moiss e Elias,
31 os quais apareceram com glria e falavam da sua morte, a
qual havia de cumprir-se em Jerusalm.
32 E Pedro e os que estavam com ele estavam carregados de sono;
e, quando despertaram, viram a sua glria e aqueles dois vares que
estavam com ele.
33 E aconteceu que, quando aqueles se apartaram dele, disse
Pedro a Jesus: Mestre, bom  que ns estejamos aqui e faamos trs
tendas, uma para ti, uma para Moiss e uma para Elias, no sabendo o
que dizia.
34 E, dizendo ele isso, veio uma nuvem que os cobriu com a sua
sombra; e, entrando eles na nuvem, temeram.
35 E saiu da nuvem uma voz que dizia: Este  o meu Filho (1)
amado; a ele ouvi. (1){ou eleito}
36 E, tendo soado aquela voz, Jesus foi achado s; e eles
calaram-se e, por aqueles dias, no contaram a ningum nada do que
tinham visto.
37 E aconteceu, no dia seguinte, que, descendo eles do monte,
lhes saiu ao encontro uma grande multido.
38 E eis que um homem da multido clamou, dizendo, Mestre,
peo-te que olhes para meu filho, porque  o nico que eu tenho.
39 Eis que um esprito o toma, e de repente clama, e o
despedaa at espumar; e s o larga depois de o ter quebrantado.
40 E roguei aos teus discpulos que o expulsassem, e no
puderam.
41 E Jesus, respondendo, disse:  gerao incrdula e perversa!
At quando estarei ainda convosco e vos sofrerei? Traze-me c o teu
filho.
42 E, quando vinha chegando, o demnio o derribou e
convulsionou; porm Jesus repreendeu o esprito imundo, e curou o
menino, e o entregou a seu pai.
43 E todos pasmavam da majestade de Deus. E, maravilhando-se
todos de todas as coisas que Jesus fazia, disse aos seus discpulos:
44 Ponde vs estas palavras em vossos ouvidos, porque o Filho
do Homem ser entregue nas mos dos homens.
45 Mas eles no entendiam essa palavra, que lhes era encoberta,
para que a no compreendessem; e temiam interrog-lo acerca dessa
palavra.
46 E suscitou-se entre eles uma discusso sobre qual deles
seria o maior.
47 Mas Jesus, vendo o pensamento de seus coraes, tomou uma
criana, p-la junto a si
48 e disse-lhes: Qualquer que receber esta criana em meu nome
recebe-me a mim; e qualquer que me recebe a mim recebe o que me
enviou; porque aquele que entre vs todos for o menor, esse mesmo 
grande.
49 E, respondendo Joo, disse: Mestre, vimos um que em teu nome
expulsava os demnios, e lho proibimos, porque no te segue conosco.
50 E Jesus lhes disse: No o proibais, porque quem no  contra
ns  por ns.
51 E aconteceu que, completando-se os dias para a sua assuno,
manifestou o firme propsito de ir a Jerusalm.
52 E mandou mensageiros diante da sua face; e, indo eles,
entraram numa aldeia de samaritanos, para lhe prepararem pousada.
53 Mas no o receberam, porque o seu aspecto era como de quem
ia a Jerusalm.
54 E os discpulos Tiago e Joo, vendo isso, disseram: Senhor,
queres que digamos que desa fogo do cu e os consuma, como Elias
tambm fez?
55 Voltando-se, porm, repreendeu-os e disse: Vs no sabeis de
que esprito sois.
56 Porque o Filho do Homem no veio para destruir as almas dos
homens, mas para salv-las. E foram para outra aldeia.
57 E aconteceu que, indo eles pelo caminho, lhe disse um:
Senhor, seguir-te-ei para onde quer que fores.
58 E disse-lhe Jesus: As raposas tm covis, e as aves do cu,
ninhos, mas o Filho do Homem no tem onde reclinar a cabea.
59 E disse a outro: Segue-me. Mas ele respondeu: Senhor, deixa
que primeiro eu v enterrar meu pai.
60 Mas Jesus lhe observou: Deixa aos mortos o enterrar os seus
mortos; porm tu, vai e anuncia o Reino de Deus.
61 Disse tambm outro: Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me
despedir primeiro dos que esto em minha casa.
62 E Jesus lhe disse: Ningum que lana mo do arado e olha
para trs  apto para o Reino de Deus.

LUCAS-CAPITULO-10
1 E, depois disso, designou o Senhor ainda outros setenta e
mandou-os adiante da sua face, de dois em dois, a todas as cidades e
lugares aonde ele havia de ir.
2 E dizia-lhes: Grande , em verdade, a seara, mas os obreiros
so poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a
sua seara.
3 Ide; eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos.
4 E no leveis bolsa, nem alforje, nem sandlias; e a ningum
saudeis pelo caminho.
5 E, em qualquer casa onde entrardes, dizei primeiro: Paz seja
nesta casa.
6 E, se ali houver algum filho de paz, repousar sobre ele {ou
ela} a vossa paz; e, se no, voltar para vs.
7 E ficai na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem,
pois digno  o obreiro de seu salrio. No andeis de casa em casa.
8 E, em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei
do que vos puserem diante.
9 E curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes:  chegado a
vs o Reino de Deus.
10 Mas, em qualquer cidade em que entrardes e vos no
receberem, saindo por suas ruas, dizei:
11 At o p que da vossa cidade se nos pegou sacudimos sobre
vs. Sabei, contudo, isto: j o Reino de Deus  chegado a vs.
12 E digo-vos que mais tolerncia haver naquele dia para
Sodoma do que para aquela cidade.
13 Ai de ti, Corazim, ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e
em Sidom se fizessem as maravilhas que em vs foram feitas, j h
muito, assentadas em saco de pano grosseiro e cinza, se teriam
arrependido.
14 Portanto, para Tiro e Sidom haver menos rigor no Dia do
Juzo do que para vs.
15 E tu, Cafarnaum, sers levantada at ao cu? At ao inferno
sers abatida.
16 Quem vos ouve a vs a mim me ouve; e quem vos rejeita a vs
a mim me rejeita; e quem a mim me rejeita rejeita aquele que me
enviou.
17 E voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, pelo teu
nome, at os demnios se nos sujeitam.
18 E disse-lhes: Eu via Satans, como raio, cair do cu.
19 Eis que vos dou poder para pisar serpentes, e escorpies, e
toda a fora do Inimigo, e nada vos far dano algum.
20 Mas no vos alegreis porque se vos sujeitem os espritos;
alegrai-vos, antes, por estar o vosso nome escrito nos cus.
21 Naquela mesma hora, se alegrou Jesus no Esprito Santo e
disse: Graas te dou,  Pai, Senhor do cu e da terra, porque
escondeste essas coisas aos sbios e inteligentes e as revelaste s
criancinhas; assim ,  Pai, porque assim te aprouve.
22 Tudo por meu Pai me foi entregue; e ningum conhece quem  o
Filho, seno o Pai, nem quem  o Pai, seno o Filho e aquele a quem o
Filho o quiser revelar.
23 E, voltando-se para os discpulos, disse-lhes em particular:
Bem-aventurados os olhos que vem o que vs vedes,
24 pois vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que
vs vedes e no o viram; e ouvir o que ouvis e no o ouviram.
25 E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o e
dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
26 E ele lhe disse: Que est escrito na lei? Como ls?
27 E, respondendo ele, disse: Amars ao Senhor, teu Deus, de
todo o teu corao, e de toda a tua alma, e de todas as tuas foras, e
de todo o teu entendimento e ao teu prximo como a ti mesmo.
28 E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso e vivers.
29 Ele, porm, querendo justificar-se a si mesmo, disse a
Jesus: E quem  o meu prximo?
30 E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalm
para Jeric, e caiu nas mos dos salteadores, os quais o despojaram e,
espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.
31 E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo
sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.
32 E, de igual modo, tambm um levita, chegando quele lugar e
vendo-o, passou de largo.
33 Mas um samaritano que ia de viagem chegou ao p dele e,
vendo-o, moveu-se de ntima compaixo.
34 E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhes
azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma
estalagem e cuidou dele;
35 E, partindo ao outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao
hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele, e tudo o que de mais gastares eu
to pagarei, quando voltar.
36 Qual, pois, destes trs te parece que foi o prximo daquele
que caiu nas mos dos salteadores?
37 E ele disse: O que usou de misericrdia para com ele. Disse,
pois, Jesus: Vai e faze da mesma maneira.
38 E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou numa aldeia; e
certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa.
39 E tinha esta uma irm, chamada Maria, a qual, assentando-se
tambm aos ps de Jesus, ouvia a sua palavra.
40 Marta, porm, andava distrada em muitos servios e,
aproximando-se, disse: Senhor, no te importas que minha irm me deixe
servir s? Dize-lhe, pois, que me ajude.
41 E, respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, ests ansiosa
e afadigada com muitas coisas,
42 mas uma s  necessria; e Maria escolheu a boa parte, a
qual no lhe ser tirada.

LUCAS-CAPITULO-11
1 E aconteceu que, estando ele a orar num certo lugar, quando
acabou, lhe disse um dos seus discpulos: Senhor, ensina-nos a orar,
como tambm Joo ensinou aos seus discpulos.
2 E ele lhes disse: Quando orardes, dizei: Pai {nosso, que
ests nos cus}, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; {seja
feita a tua vontade, assim na terra, como no cu.}
3 d-nos cada dia o nosso po cotidiano;
4 perdoa-nos os nossos pecados, pois tambm ns perdoamos a
qualquer que nos deve; e no nos conduzas em tentao, mas livra-nos
do mal.
5 Disse-lhes tambm: Qual de vs ter um amigo e, se for
procur-lo  meia-noite, lhe disser: Amigo, empresta-me trs pes,
6 pois que um amigo meu chegou a minha casa, vindo de caminho,
e no tenho o que apresentar-lhe;
7 se ele, respondendo de dentro, disser: No me importunes; j
est a porta fechada, e os meus filhos esto comigo na cama; no posso
levantar-me para tos dar.
8 Digo-vos que, ainda que se no levante a dar-lhos por ser seu
amigo, levantar-se -, todavia, por causa da sua importunao e lhe
dar tudo o que houver mister.
9 E eu vos digo a vs: Pedi, e dar-se-vos -; buscai, e
achareis; batei, e abrir-se-vos-;
10 porque qualquer que pede recebe; e quem busca acha; e a quem
bate, abrir-se-lhe-.
11 E qual o pai dentre vs que, se o filho lhe pedir po, lhe
dar uma pedra? Ou tambm, se lhe pedir peixe, lhe dar por peixe uma
serpente?
12 Ou tambm, se lhe pedir um ovo, lhe dar um escorpio?
13 Pois, se vs, sendo maus, sabeis dar boas ddivas aos vossos
filhos, quanto mais dar o Pai celestial o Esprito Santo queles que
lho pedirem?
14 E estava ele expulsando um demnio, o qual era mudo. E
aconteceu que, saindo o demnio, o mudo falou; e maravilhou-se a
multido.
15 Mas alguns deles diziam: Ele expulsa os demnios por
Belzebu, prncipe dos demnios.
16 E outros, tentando -o, pediam-lhe um sinal do cu.
17 Mas, conhecendo ele os seus pensamentos, disse-lhes: Todo
reino dividido contra si mesmo ser assolado; e a casa dividida contra
si mesma cair.
18 E, se tambm Satans est dividido contra si mesmo, como
subsistir o seu reino? Pois dizeis que eu expulso os demnios por
Belzebu.
19 E, se eu expulso os demnios por Belzebu, por quem os
expulsam vossos filhos? Eles, pois, sero os vossos juzes.
20 Mas, se eu expulso os demnios pelo dedo de Deus,
certamente, a vs  chegado o Reino de Deus.
21 Quando o valente guarda, armado, a sua casa, em segurana
est tudo quanto tem.
22 Mas, sobrevindo outro mais valente do que ele e vencendo-o,
tira-lhe toda a armadura em que confiava e reparte os seus despojos.
23 Quem no  comigo  contra mim; e quem comigo no ajunta
espalha.
24 Quando o esprito imundo tem sado do homem, anda por
lugares secos, buscando repouso; e, no o achando, diz: Tornarei para
minha casa, de onde sa.
25 E, chegando, acha -a varrida e adornada.
26 Ento, vai e leva consigo outros sete espritos piores do
que ele; e, entrando, habitam ali; e o ltimo estado desse homem 
pior do que o primeiro.
27 E aconteceu que, dizendo ele essas coisas, uma mulher dentre
a multido, levantando a voz, lhe disse: Bem-aventurado o ventre que
te trouxe e os peitos em que mamaste!
28 Mas ele disse: Antes, bem-aventurados os que ouvem a palavra
de Deus e a guardam.
29 E, ajuntando-se a multido, comeou a dizer: Maligna  esta
gerao; ela pede um sinal; e no lhe ser dado outro sinal, seno o
sinal do profeta Jonas.
30 Porquanto assim como Jonas foi sinal para os ninivitas,
assim o Filho do Homem o ser tambm para esta gerao.
31 A rainha do Sul se levantar no juzo com os homens desta
gerao e os condenar; pois at dos confins da terra veio ouvir a
sabedoria de Salomo; e eis aqui est quem  maior do que Salomo.
32 Os homens de Nnive se levantaro no juzo com esta gerao
e a condenaro; pois se converteram com a pregao de Jonas; e eis
aqui est quem  maior do que Jonas.
33 E ningum, acendendo uma candeia, a pe em oculto, nem
debaixo do alqueire, mas no velador, para que os que entram vejam a
luz.
34 A candeia do corpo  o olho. Sendo, pois, o teu olho
simples, tambm todo o teu corpo ser luminoso; mas, se for mau,
tambm o teu corpo ser tenebroso.
35 V, pois, que a luz que em ti h no sejam trevas.
36 Se, pois, todo o teu corpo  luminoso, no tendo em trevas
parte alguma, todo ser luminoso, como quando a candeia te alumia com
o seu resplandor.
37 E, estando ele ainda falando, rogou-lhe um fariseu que fosse
jantar com ele; e, entrando, assentou-se  mesa.
38 Mas o fariseu admirou-se, vendo que se no lavara antes do
jantar.
39 E o Senhor lhe disse: Agora, vs, fariseus, limpais o
exterior do copo e do prato, mas o vosso interior est cheio de rapina
e maldade.
40 Loucos! Quem fez o exterior no fez tambm o interior?
41 Antes dai esmola do que tiverdes, e eis que tudo vos ser
limpo.
42 Mas ai de vs, fariseus, que dizimais a hortel, e a arruda,
e toda hortalia e desprezais o juzo e o amor de Deus! Importava
fazer essas coisas e no deixar as outras.
43 Ai de vs, fariseus, que amais os primeiros assentos nas
sinagogas e as saudaes nas praas!
44 Ai de vs, escribas e fariseus hipcritas, que sois como as
sepulturas que no aparecem, e os homens que sobre elas andam no o
sabem!
45 E, respondendo um dos doutores da lei, disse-lhe: Mestre,
quando dizes isso tambm nos afrontas a ns.
46 E ele lhe disse: Ai de vs tambm, doutores da lei, que
carregais os homens com cargas difceis de transportar, e vs mesmos
nem ainda com um dos vossos dedos tocais essas cargas!
47 Ai de vs que edificais os sepulcros dos profetas, e vossos
pais os mataram!
48 Bem testificais, pois, que consentis nas obras de vossos
pais; porque eles os mataram, e vs edificais os seus sepulcros.
49 Por isso, diz tambm a sabedoria de Deus: Profetas e
apstolos lhes mandarei; e eles mataro uns e perseguiro outros;
50 para que desta gerao seja requerido o sangue de todos os
profetas que, desde a fundao do mundo, foi derramado;
51 desde o sangue de Abel at ao sangue de Zacarias, que foi
morto entre o altar e o templo; assim, vos digo, ser requerido desta
gerao.
52 Ai de vs, doutores da lei, que tirastes a chave da cincia!
Vs mesmos no entrastes e impedistes os que entravam.
53 E, dizendo-lhes ele isso, comearam os escribas e os
fariseus a apert-lo fortemente e a faz-lo falar acerca de muitas
coisas,
54 armando-lhe ciladas, e procurando apanhar da sua boca alguma
coisa para o acusarem.

LUCAS-CAPITULO-12
1 Ajuntando-se, entretanto, muitos milhares de pessoas, de
sorte que se atropelavam uns aos outros, comeou a dizer aos seus
discpulos: Acautelai-vos, primeiramente, do fermento dos fariseus,
que  a hipocrisia.
2 Mas nada h encoberto que no haja de ser descoberto; nem
oculto, que no haja de ser sabido.
3 Porquanto tudo o que em trevas dissestes  luz ser ouvido; e
o que falastes ao ouvido no gabinete sobre os telhados ser apregoado.
4 E digo-vos, amigos meus: no temais os que matam o corpo e
depois no tm mais o que fazer.
5 Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer: temei aquele que,
depois de matar, tem poder para lanar no inferno; sim, vos digo, a
esse temei.
6 No se vendem cinco passarinhos por dois ceitis? E nenhum
deles est esquecido diante de Deus.
7 E at os cabelos da vossa cabea esto todos contados. No
temais, pois; mais valeis vs do que muitos passarinhos.
8 E digo-vos que todo aquele que me confessar diante dos
homens, tambm o Filho do Homem o confessar diante dos anjos de Deus.
9 Mas quem me negar diante dos homens ser negado diante dos
anjos de Deus.
10 E a todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do
Homem ser-lhe - perdoada, mas ao que blasfemar contra o Esprito
Santo no lhe ser perdoado.
11 E, quando vos conduzirem s sinagogas, aos magistrados e
potestades, no estejais solcitos de como ou do que haveis de
responder, nem do que haveis de dizer.
12 Porque na mesma hora vos ensinar o Esprito Santo o que vos
convenha falar.
13 E disse-lhe um da multido: Mestre, dize a meu irmo que
reparta comigo a herana.
14 Mas ele lhe disse: Homem, quem me ps a mim por juiz ou
repartidor entre vs?
15 E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza, porque
a vida de qualquer no consiste na abundncia do que possui.
16 E props-lhes uma parbola, dizendo: a herdade de um homem
rico tinha produzido com abundncia.
17 E arrazoava ele entre si, dizendo: Que farei? No tenho onde
recolher os meus frutos.
18 E disse: Farei isto: derribarei os meus celeiros, e
edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades
e os meus bens;
19 e direi  minha alma: alma, tens em depsito muitos bens,
para muitos anos; descansa, come, bebe e folga.
20 Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pediro a tua alma,
e o que tens preparado para quem ser?
21 Assim  aquele que para si ajunta tesouros e no  rico para
com Deus.
22 E disse aos seus discpulos: Portanto, vos digo: no
estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo
corpo, sobre o que vestireis.
23 Mais  a vida do que o sustento, e o corpo, mais do que as
vestes.
24 Considerai os corvos, que nem semeiam, nem segam, nem tm
despensa nem celeiro, e Deus os alimenta; quanto mais valeis vs do
que as aves?
25 E qual de vs, sendo solcito, pode acrescentar um cvado 
sua estatura?
26 Pois, se nem ainda podeis as coisas mnimas, por que estais
ansiosos pelas outras?
27 Considerai os lrios, como eles crescem; no trabalham, nem
fiam; e digo-vos que nem ainda Salomo, em toda a sua glria, se
vestiu como um deles.
28 E, se Deus assim veste a erva, que hoje est no campo e
amanh  lanada no forno, quanto mais a vs, homens de pouca f?
29 No pergunteis, pois, que haveis de comer ou que haveis de
beber, e no andeis inquietos.
30 Porque os gentios do mundo buscam todas essas coisas; mas
vosso Pai sabe que necessitais delas.
31 Buscai, antes, o Reino de Deus, e todas essas coisas vos
sero acrescentadas.
32 No temas,  pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou
dar-vos o Reino.
33 Vendei o que tendes, e dai esmolas, e fazei para vs bolsas
que no se envelheam, tesouro nos cus que nunca acabe, aonde no
chega ladro, e a traa no ri.
34 Porque onde estiver o vosso tesouro, ali estar tambm o
vosso corao.
35 Estejam cingidos os vossos lombos, e acesas, as vossas
candeias.
36 E sede vs semelhantes aos homens que esperam o seu senhor,
quando houver de voltar das bodas, para que, quando vier e bater, logo
possam abrir-lhe.
37 Bem-aventurados aqueles servos, os quais, quando o Senhor
vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingir, e os far
assentar  mesa, e, chegando-se, os servir.
38 E, se vier na segunda viglia, e se vier na terceira
viglia, e os achar assim, bem-aventurados so os tais servos.
39 Sabei, porm, isto: se o pai de famlia soubesse a que hora
havia de vir o ladro, vigiaria e no deixaria minar a sua casa.
40 Portanto, estai vs tambm apercebidos; porque vir o Filho
do Homem  hora que no imaginais.
41 E disse-lhe Pedro: Senhor, dizes essa parbola a ns ou
tambm a todos?
42 E disse o Senhor: Qual , pois, o mordomo fiel e prudente, a
quem o senhor ps sobre os seus servos, para lhes dar a tempo a rao?
43 Bem-aventurado aquele servo a quem o senhor, quando vier,
achar fazendo assim.
44 Em verdade vos digo que sobre todos os seus bens o por.
45 Mas, se aquele servo disser em seu corao: O meu senhor
tarda em vir, e comear a espancar os criados e criadas, e a comer, e
a beber, e a embriagar-se,
46 vir o Senhor daquele servo no dia em que o no espera e
numa hora que ele no sabe, e separ-lo -, e lhe dar a sua parte com
os infiis.
47 E o servo que soube a vontade do seu senhor e no se
aprontou, nem fez conforme a sua vontade, ser castigado com muitos
aoites.
48 Mas o que a no soube e fez coisas dignas de aoites com
poucos aoites ser castigado. E a qualquer que muito for dado, muito
se lhe pedir, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe
pedir.
49 Vim lanar fogo na terra e que mais quero, se j est aceso?
50 Importa, porm, que eu seja batizado com um certo batismo, e
como me angustio at que venha a cumprir-se!
51 Cuidais vs que vim trazer paz  terra? No, vos digo, mas,
antes, dissenso.
52 Porque, daqui em diante, estaro cinco divididos numa casa:
trs contra dois, e dois contra trs.
53 O pai estar dividido contra o filho, e o filho, contra o
pai, a me, contra a filha, e a filha, contra a me, a sogra, contra
sua nora, e a nora, contra sua sogra.
54 E dizia tambm  multido: Quando vedes a nuvem que vem do
ocidente, logo dizeis: L vem chuva; e assim sucede.
55 E, quando assopra o vento sul, dizeis: Haver calma; e assim
sucede.
56 Hipcritas, sabeis discernir a face da terra e do cu; como
no sabeis, ento, discernir este tempo?
57 E por que no julgais tambm por vs mesmos o que  justo?
58 Quando, pois, vais com o teu adversrio ao magistrado,
procura livrar-te dele no caminho; para que no suceda que te conduza
ao juiz, e o juiz te entregue ao meirinho, e o meirinho te encerre na
priso.
59 Digo-te que no sairs dali enquanto no pagares o
derradeiro ceitil.

LUCAS-CAPITULO-13
1 E, naquele mesmo tempo, estavam presentes ali alguns que lhe
falavam dos galileus cujo sangue Pilatos misturara com os seus
sacrifcios.
2 E, respondendo Jesus, disse-lhes: Cuidais vs que esses
galileus foram mais pecadores do que todos os galileus, por terem
padecido tais coisas?
3 No, vos digo; antes, se vos no arrependerdes, todos de
igual modo perecereis.
4 E aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Silo e os
matou, cuidais que foram mais culpados {ou devedores} do que todos
quantos homens habitam em Jerusalm?
5 No, vos digo; antes, se vos no arrependerdes, todos de
igual modo perecereis.
6 E dizia esta parbola: Um certo homem tinha uma figueira
plantada na sua vinha e foi procurar nela fruto, no o achando.
7 E disse ao vinhateiro: Eis que h trs anos venho procurar
fruto nesta figueira e no o acho; corta-a. Por que ela ocupa ainda a
terra inutilmente?
8 E, respondendo ele, disse-lhe: Senhor, deixa-a este ano, at
que eu a escave e a esterque;
9 e, se der fruto, ficar; e, se no, depois a mandars cortar.
10 E ensinava no sbado, numa das sinagogas.
11 E eis que estava ali uma mulher que tinha um esprito de
enfermidade havia j dezoito anos; e andava curvada e no podia de
modo algum endireitar-se.
12 E, vendo-a Jesus, chamou-a a si, e disse-lhe: Mulher, ests
livre da tua enfermidade.
13 E imps as mos sobre ela, e logo se endireitou e
glorificava a Deus.
14 E, tomando a palavra o prncipe da sinagoga, indignado
porque Jesus curava no sbado, disse  multido: Seis dias h em que 
mister trabalhar; nestes, pois, vinde para serdes curados e no no dia
de sbado.
15 Respondeu-lhe, porm, o Senhor e disse: Hipcrita, no sbado
no desprende da manjedoura cada um de vs o seu boi ou jumento e no
o leva a beber gua?
16 E no convinha soltar desta priso, no dia de sbado, esta
filha de Abrao, a qual h dezoito anos Satans mantinha presa?
17 E, dizendo ele isso, todos os seus adversrios ficaram
envergonhados, e todo o povo se alegrava por todas as coisas gloriosas
que eram feitas por ele.
18 E dizia: A que  semelhante o Reino de Deus, e a que o
compararei?
19  semelhante ao gro de mostarda que um homem, tomando-o,
lanou na sua horta; e cresceu e fez-se grande rvore, e em seus ramos
se aninharam as aves do cu.
20 E disse outra vez: A que compararei o Reino de Deus?
21  semelhante ao fermento que uma mulher, tomando-o, escondeu
em trs medidas de farinha, at que tudo levedou.
22 E percorria as cidades e as aldeias, ensinando e caminhando
para Jerusalm.
23 E disse-lhe um: Senhor, so poucos os que se salvam? E ele
lhe respondeu:
24 Porfiai por entrar pela porta estreita, porque eu vos digo
que muitos procuraro entrar e no podero.
25 Quando o pai de famlia se levantar e cerrar a porta, e
comeardes a estar de fora e a bater  porta, dizendo: Senhor, Senhor,
abre-nos; e, respondendo ele, vos disser: No sei de onde vs sois,
26 ento, comeareis a dizer: Temos comido e bebido na tua
presena, e tu tens ensinado nas nossas ruas.
27 E ele vos responder: Digo-vos que no sei de onde vs sois;
apartai-vos de mim, vs todos os que praticais a iniqidade.
28 Ali, haver choro e ranger de dentes, quando virdes Abrao,
e Isaque, e Jac, e todos os profetas no Reino de Deus e vs, lanados
fora.
29 E viro do Oriente, e do Ocidente, e do Norte, e do Sul e
assentar-se-o  mesa no Reino de Deus.
30 E eis que derradeiros h que sero os primeiros; e primeiros
h que sero os derradeiros.
31 Naquele mesmo dia, chegaram uns fariseus, dizendo-lhe: Sai e
retira-te daqui, porque Herodes quer matar-te.
32 E lhes respondeu: Ide e dizei quela raposa: eis que eu
expulso demnios, e efetuo curas, hoje e amanh, e, no terceiro dia,
sou consumado.
33 Importa, porm, caminhar hoje, amanh e no dia seguinte,
para que no suceda que morra um profeta fora de Jerusalm.
34 Jerusalm, Jerusalm, que matas os profetas e apedrejas os
que te so enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos,
como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e no quiseste?
35 Eis que a vossa casa se vos deixar deserta. E em verdade
vos digo que no me vereis at que venha o tempo em que digais:
Bendito aquele que vem em nome do Senhor!

LUCAS-CAPITULO-14
1 Aconteceu, num sbado, que, entrando ele em casa de um dos
principais dos fariseus para comer po, eles o estavam observando.
2 E eis que estava ali diante dele um certo homem hidrpico.
3 E Jesus, tomando a palavra, falou aos doutores da lei e aos
fariseus, dizendo:  lcito curar no sbado?
4 Eles, porm, calaram-se. E tomando -o, o curou e despediu.
5 E disse-lhes: Qual ser de vs o que, caindo-lhe num poo, em
dia de sbado, o jumento ou o boi, o no tire logo?
6 E nada lhe podiam replicar sobre isso.
7 E disse aos convidados uma parbola, reparando como escolhiam
os primeiros assentos, dizendo-lhes:
8 Quando por algum fores convidado s bodas, no te assentes
no primeiro lugar, para que no acontea que esteja convidado outro
mais digno do que tu,
9 e, vindo o que te convidou a ti e a ele, te diga: D o lugar
a este; e ento, com vergonha, tenhas de tomar o derradeiro lugar.
10 Mas, quando fores convidado, vai e assenta-te no derradeiro
lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo,
assenta-te mais para cima. Ento, ters honra diante dos que estiverem
contigo  mesa.
11 Porquanto, qualquer que a si mesmo se exaltar ser
humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar ser exaltado.
12 E dizia tambm ao que o tinha convidado: Quando deres um
jantar ou uma ceia, no chames os teus amigos, nem os teus irmos, nem
os teus parentes, nem vizinhos ricos, para que no suceda que tambm
eles te tornem a convidar, e te seja isso recompensado.
13 Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, aleijados,
mancos e cegos
14 e sers bem-aventurado; porque eles no tm com que to
recompensar; mas recompensado sers na ressurreio dos justos.
15 E, ouvindo isso um dos que estavam com ele  mesa,
disse-lhe: Bem-aventurado o que comer po no Reino de Deus!
16 Porm ele lhe disse: Um certo homem fez uma grande ceia e
convidou a muitos.
17 E,  hora da ceia, mandou o seu servo dizer aos convidados:
Vinde, que j tudo est preparado.
18 E todos  uma comearam a escusar-se. Disse-lhe o primeiro:
Comprei um campo e preciso ir v-lo; rogo-te que me hajas por
escusado.
19 E outro disse: Comprei cinco juntas de bois e vou
experiment-los; rogo-te que me hajas por escusado.
20 E outro disse: Casei e, portanto, no posso ir.
21 E, voltando aquele servo, anunciou essas coisas ao seu
senhor. Ento, o pai de famlia, indignado, disse ao seu servo: Sai
depressa pelas ruas e bairros da cidade e traze aqui os pobres, e os
aleijados, e os mancos, e os cegos.
22 E disse o servo: Senhor, feito est como mandaste, e ainda
h lugar.
23 E disse o senhor ao servo: Sai pelos caminhos e atalhos e
fora-os a entrar, para que a minha casa se encha.
24 Porque eu vos digo que nenhum daqueles vares que foram
convidados provar a minha ceia.
25 Ora, ia com ele uma grande multido; e, voltando-se,
disse-lhe:
26 Se algum vier a mim e no aborrecer a seu pai, e me, e
mulher, e filhos, e irmos, e irms, e ainda tambm a sua prpria
vida, no pode ser meu discpulo.
27 E qualquer que no levar a sua cruz e no vier aps mim no
pode ser meu discpulo.
28 Pois qual de vs, querendo edificar uma torre, no se
assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que
a acabar?
29 Para que no acontea que, depois de haver posto os
alicerces e no a podendo acabar, todos os que a virem comecem a
escarnecer dele,
30 dizendo: Este homem comeou a edificar e no pde acabar.
31 Ou qual  o rei que, indo  guerra a pelejar contra outro
rei, no se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil
pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil?
32 De outra maneira, estando o outro ainda longe, manda
embaixadores e pede condies de paz.
33 Assim, pois, qualquer de vs que no renuncia a tudo quanto
tem no pode ser meu discpulo.
34 Bom  o sal, mas, se ele degenerar {ou perder a sua
qualidade}, com que se h de salgar?
35 Nem presta para a terra, nem para o monturo; lanam-no fora.
Quem tem ouvidos para ouvir, que oua.

LUCAS-CAPITULO-15
1 E chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o
ouvir.
2 E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe
pecadores e come com eles.
3 E ele lhes props esta parbola, dizendo:
4 Que homem dentre vs, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas,
no deixa no deserto as noventa e nove e no vai aps a perdida at
que venha a ach-la?
5 E, achando-a, a pe sobre seus ombros, cheio de jbilo;
6 e, chegando  sua casa, convoca os amigos e vizinhos,
dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque j achei a minha ovelha
perdida.
7 Digo-vos que assim haver alegria no cu por um pecador que
se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que no necessitam
de arrependimento.
8 Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma
dracma, no acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligncia
at a achar?
9 E, achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo:
Alegrai-vos comigo, porque j achei a dracma perdida.
10 Assim vos digo que h alegria diante dos anjos de Deus por
um pecador que se arrepende.
11 E disse: Um certo homem tinha dois filhos.
12 E o mais moo deles disse ao pai: Pai, d-me a parte da
fazenda que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda.
13 E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo,
partiu para uma terra longnqua e ali desperdiou a sua fazenda,
vivendo dissolutamente.
14 E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande
fome, e comeou a padecer necessidades.
15 E foi e chegou-se a um dos cidados daquela terra, o qual o
mandou para os seus campos a apascentar porcos.
16 E desejava encher o seu estmago com as bolotas {ou
alfarrobas, ou fruta de caroba} que os porcos comiam, e ningum lhe
dava nada.
17 E, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai tm
abundncia de po, e eu aqui pereo de fome!
18 Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai,
pequei contra o cu e perante ti.
19 J no sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um
dos teus trabalhadores.
20 E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava
longe, viu-o seu pai, e se moveu de ntima compaixo, e, correndo,
lanou-se-lhe ao pescoo, e o beijou.
21 E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o cu e perante ti e
j no sou digno de ser chamado teu filho.
22 Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor
roupa {Gr. stolen ten proten: a primeira veste}, e vesti-lho, e
ponde-lhe um anel na mo e sandlias nos ps,
23 e trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos e
alegremo-nos,
24 porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se
perdido e foi achado. E comearam a alegrar-se.
25 E o seu filho mais velho estava no campo; e, quando veio e
chegou perto de casa, ouviu a msica e as danas.
26 E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo.
27 E ele lhe disse: Veio teu irmo; e teu pai matou o bezerro
cevado, porque o recebeu so e salvo.
28 Mas ele se indignou e no queria entrar. E, saindo o pai,
instava com ele.
29 Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo h
tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste
um cabrito para alegrar-me com os meus amigos.
30 Vindo, porm, este teu filho, que desperdiou a tua fazenda
com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.
31 E ele lhe disse: Filho, tu sempre ests comigo, e todas as
minhas coisas so tuas.
32 Mas era justo alegrarmo-nos e regozijarmo-nos, porque este
teu irmo estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado.

LUCAS-CAPITULO-16
1 E dizia tambm aos seus discpulos: Havia um certo homem
rico, o qual tinha um mordomo; e este foi acusado perante ele de
dissipar os seus bens.
2 E ele, chamando-o, disse-lhe: Que  isso que ouo de ti?
Presta contas da tua mordomia, porque j no poders ser mais meu
mordomo.
3 E o mordomo disse consigo: Que farei, pois que o meu senhor
me tira a mordomia? Cavar no posso; de mendigar tenho vergonha.
4 Eu sei o que hei de fazer, para que, quando for desapossado
da mordomia, me recebam em suas casas.
5 E, chamando a si cada um dos devedores do seu senhor, disse
ao primeiro: Quanto deves ao meu senhor?
6 E ele respondeu: Cem medidas de azeite. E disse-lhe: Toma a
tua conta e, assentando-te j, escreve cinqenta.
7 Disse depois a outro: E tu quanto deves? E ele respondeu: Cem
alqueires de trigo. E disse-lhe: Toma a tua conta e escreve oitenta.
8 E louvou aquele senhor o injusto mordomo por haver procedido
prudentemente, porque os filhos deste mundo {ou deste tempo Gr.
aionos} so mais prudentes na sua gerao do que os filhos da luz.
9 E eu vos digo: granjeai amigos com as riquezas da injustia,
para que, quando estas vos faltarem {Gr. ekleipo: falecer}, vos
recebam eles nos tabernculos eternos.
10 Quem  fiel no mnimo tambm  fiel no muito; quem  injusto
no mnimo tambm  injusto no muito.
11 Pois, se nas riquezas injustas no fostes fiis, quem vos
confiar as verdadeiras?
12 E, se no alheio no fostes fiis, quem vos dar o que 
vosso?
13 Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque ou h de
aborrecer a um e amar ao outro ou se h de chegar a um e desprezar ao
outro. No podeis servir a Deus e a Mamom.
14 E os fariseus, que eram avarentos, ouviam todas essas coisas
e zombavam dele.
15 E disse-lhes: Vs sois os que vos justificais a vs mesmos
diante dos homens, mas Deus conhece os vossos coraes, porque o que
entre os homens  elevado perante Deus  abominao.
16 A Lei e os Profetas duraram at Joo; desde ento, 
anunciado {Gr. Euaggelizetai: evangelizado, ou pregado boas novas do}
o Reino de Deus, e todo homem emprega fora para entrar nele.
17 E  mais fcil passar o cu e a terra do que cair um til da
Lei.
18 Qualquer que deixa sua mulher e casa com outra adultera; e
aquele que casa com a repudiada pelo marido adultera tambm.
19 Ora, havia um homem rico, e vestia-se de prpura e de linho
finssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente.
20 Havia tambm um certo mendigo, chamado Lzaro, que jazia
cheio de chagas  porta daquele.
21 E desejava alimentar-se com as migalhas que caam da mesa do
rico; e os prprios ces vinham lamber-lhe as chagas.
22 E aconteceu que o mendigo morreu e foi levado pelos anjos
para o seio de Abrao; e morreu tambm o rico e foi sepultado.
23 E, no (1) inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e
viu ao longe Abrao e Lzaro, no seu seio. (1){Gr. Hades: residncia dos
mortos}
24 E, clamando, disse: Abrao, meu pai, tem misericrdia de mim
e manda a Lzaro que molhe na gua a ponta do seu dedo e me refresque
a lngua, porque estou atormentado nesta chama.
25 Disse, porm, Abrao: Filho, lembra-te de que recebeste os
teus bens em tua vida, e Lzaro, somente males; e, agora, este 
consolado, e tu, atormentado.
26 E, alm disso, est posto um grande abismo entre ns e vs,
de sorte que os que quisessem passar daqui para vs no poderiam, nem
tampouco os de l, passar para c.
27 E disse ele: Rogo-te, pois,  pai, que o mandes  casa de
meu pai,
28 pois tenho cinco irmos, para que lhes d testemunho, a fim
de que no venham tambm para este lugar de tormento.
29 Disse-lhe Abrao: Eles tm Moiss e os Profetas; ouam-nos.
30 E disse ele: No, Abrao, meu pai; mas, se algum dos mortos
fosse ter com eles, arrepender-se-iam.
31 Porm Abrao lhe disse: Se no ouvem a Moiss e aos
Profetas, tampouco acreditaro, ainda que algum dos mortos ressuscite.

LUCAS-CAPITULO-17
1 E disse aos discpulos:  impossvel que no venham
escndalos, mas ai daquele por quem vierem!
2 Melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoo uma pedra de
moinho, e fosse lanado ao mar, do que fazer tropear um destes
pequenos.
3 Olhai por vs mesmos. E, se teu irmo pecar contra ti,
repreende-o; e, se ele se arrepender, perdoa-lhe;
4 e, se pecar contra ti sete vezes no dia e sete vezes no dia
vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me, perdoa-lhe.
5 Disseram, ento, os apstolos ao Senhor: Acrescenta-nos a f.
6 E disse o Senhor: Se tivsseis f como um gro de mostarda,
direis a esta amoreira: Desarraiga-te daqui e planta-te no mar, e ela
vos obedeceria.
7 E qual de vs ter um servo a lavrar ou a apascentar gado, a
quem, voltando ele do campo, diga: Chega-te e assenta-te  mesa?
8 E no lhe diga antes: Prepara-me a ceia, e cinge-te, e
serve-me, at que tenha comido e bebido, e depois comers e bebers
tu?
9 Porventura, d graas ao tal servo, porque fez o que lhe foi
mandado? Creio que no.
10 Assim tambm vs, quando fizerdes tudo o que vos for
mandado, dizei: Somos servos inteis, porque fizemos somente o que
devamos fazer.
11 E aconteceu que, indo ele a Jerusalm, passou pelo meio de
Samaria e da Galilia;
12 e, entrando numa certa aldeia, saram-lhe ao encontro dez
homens leprosos, os quais pararam de longe.
13 E levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem misericrdia
de ns!
14 E ele, vendo-os, disse-lhes: Ide e mostrai-vos aos
sacerdotes. E aconteceu que, indo eles, ficaram limpos.
15 E um deles, vendo que estava so, voltou glorificando a Deus
em alta voz.
16 E caiu aos seus ps, com o rosto em terra, dando-lhe graas;
e este era samaritano.
17 E, respondendo Jesus, disse: No foram dez os limpos? E onde
esto os nove?
18 No houve quem voltasse para dar glria a Deus, seno este
estrangeiro?
19 E disse-lhe: Levanta-te e vai; a tua f te salvou.
20 E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o
Reino de Deus, respondeu-lhes e disse: O Reino de Deus no vem com
aparncia {ou observao} exterior.
21 Nem diro: Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali! Porque eis que o Reino
de Deus est entre vs.
22 E disse aos discpulos: Dias viro em que desejareis ver um
dos dias do Filho do Homem e no o vereis.
23 E dir-vos-o: Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali! No vades, nem os
sigais,
24 porque, como o relmpago ilumina desde uma extremidade
inferior do cu at  outra extremidade, assim ser tambm o Filho do
Homem no seu dia.
25 Mas primeiro convm que ele padea muito e seja reprovado
por esta gerao.
26 E, como aconteceu nos dias de No, assim ser tambm nos
dias do Filho do Homem.
27 Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, at ao dia
em que No entrou na arca, e veio o dilvio e consumiu a todos.
28 Como tambm da mesma maneira aconteceu nos dias de L:
comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam.
29 Mas, no dia em que L saiu de Sodoma, choveu do cu fogo e
enxofre, consumindo a todos.
30 Assim ser no dia em que o Filho do Homem se h de
manifestar.
31 Naquele dia, quem estiver no telhado, tendo os seus
utenslios em casa, no desa a tom-los; e, da mesma sorte, o que
estiver no campo no volte para trs.
32 Lembrai-vos da mulher de L.
33 Qualquer que procurar salvar a sua vida perd-la -, e
qualquer que a perder salv-la -.
34 Digo-vos que, naquela noite, estaro dois numa cama; um ser
tomado, e outro ser deixado.
35 Duas estaro juntas, moendo; uma ser tomada, e outra ser
deixada.
36 Dois estaro no campo; um ser tomado, e outro ser deixado.
37 E, respondendo, disseram-lhe: Onde, Senhor? E ele lhes
disse: Onde estiver o corpo, a se ajuntaro as guias.

LUCAS-CAPITULO-18
1 E contou-lhes tambm uma parbola sobre o dever de orar
sempre e nunca desfalecer,
2 dizendo: Havia numa cidade um certo juiz, que nem a Deus
temia, nem respeitava homem algum.
3 Havia tambm naquela mesma cidade uma certa viva e ia ter
com ele, dizendo: Faze-me justia contra o meu adversrio.
4 E, por algum tempo, no quis; mas, depois, disse consigo:
Ainda que no temo a Deus, nem respeito os homens,
5 todavia, como esta viva me molesta, hei de fazer-lhe
justia, para que enfim no volte e me importune muito.
6 E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz.
7 E Deus no far justia aos seus escolhidos, que clamam a ele
de dia e de noite, ainda que tardio {ou longnimo} para com eles?
8 Digo-vos que, depressa, lhes far justia. Quando, porm,
vier o Filho do Homem, porventura, achar f na terra?
9 E disse tambm esta parbola a uns que confiavam em si
mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros:
10 Dois homens subiram ao templo, a orar; um, fariseu, e o
outro, publicano.
11 O fariseu, estando em p, orava consigo desta maneira: 
Deus, graas te dou, porque no sou como os demais homens,
usurpadores, injustos e adlteros; nem ainda como este publicano.
12 Jejuo duas vezes na semana e dou os dzimos de tudo quanto
possuo.
13 O publicano, porm, estando em p, de longe, nem ainda
queria levantar os olhos ao cu, mas batia no peito, dizendo:  Deus,
tem misericrdia de mim, pecador!
14 Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e no
aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta ser humilhado, e
qualquer que a si mesmo se humilha ser exaltado.
15 E traziam-lhe tambm crianas, para que ele as tocasse; e os
discpulos, vendo isso, repreendiam-nos.
16 Mas Jesus, chamando-as para si, disse: Deixai vir a mim os
pequeninos e no os impeais, porque dos tais  o Reino de Deus.
17 Em verdade vos digo que qualquer que no receber o Reino de
Deus como uma criana no entrar nele.
18 E perguntou-lhe um certo prncipe, dizendo: Bom Mestre, que
hei de fazer para herdar a vida eterna?
19 Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ningum h bom,
seno um, que  Deus.
20 Sabes os mandamentos: No adulterars, no matars, no
furtars, no dirs falso testemunho, honra a teu pai e a tua me.
21 E disse ele: Todas essas coisas tenho observado desde a
minha mocidade.
22 E, quando Jesus ouviu isso, disse-lhe: Ainda te falta uma
coisa: vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres e ters um
tesouro no cu; depois, vem e segue-me.
23 Mas, ouvindo ele isso, ficou muito triste, porque era muito
rico.
24 E, vendo Jesus que ele ficara muito triste, disse: Quo
dificilmente entraro no Reino de Deus os que tm riquezas!
25 Porque  mais fcil entrar um camelo pelo fundo de uma
agulha do que entrar um rico no Reino de Deus.
26 E os que ouviram isso disseram: Logo, quem pode salvar-se?
27 Mas ele respondeu: As coisas que so impossveis aos homens
so possveis a Deus.
28 E disse Pedro: Eis que ns deixamos tudo e te seguimos.
29 E ele lhes disse: Na verdade vos digo que ningum h, que
tenha deixado casa, ou pais, ou irmos, ou mulher, ou filhos pelo
Reino de Deus
30 e no haja de receber muito mais neste mundo e, na idade
vindoura, a vida eterna.
31 E, tomando consigo os doze, disse-lhes: Eis que subimos a
Jerusalm, e se cumprir no Filho do Homem tudo o que pelos profetas
foi escrito.
32 Pois h de ser entregue aos gentios e escarnecido, injuriado
e cuspido;
33 e, havendo-o aoitado, o mataro; e, ao terceiro dia,
ressuscitar.
34 E eles nada disso entendiam, e esta palavra lhes era
encoberta, no percebendo o que se lhes dizia.
35 E aconteceu que, chegando ele perto de Jeric, estava um
cego assentado junto do caminho, mendigando.
36 E, ouvindo passar a multido, perguntou que era aquilo.
37 E disseram-lhe que Jesus, o Nazareno, passava.
38 Ento, clamou, dizendo: Jesus, Filho de Davi, tem
misericrdia de mim!
39 E os que iam passando repreendiam-no para que se calasse;
mas ele clamava ainda mais: Filho de Davi, tem misericrdia de mim!
40 Ento, Jesus, parando, mandou que lho trouxessem; e,
chegando ele, perguntou-lhe,
41 dizendo: Que queres que te faa? E ele disse: Senhor, que eu
veja.
42 E Jesus lhe disse: V; a tua f te salvou.
43 E logo viu e seguia-o, glorificando a Deus. E todo o povo,
vendo isso, dava louvores a Deus.

LUCAS-CAPITULO-19
1  E, tendo Jesus entrado em Jeric, ia passando.
2 E eis que havia ali um homem, chamado Zaqueu; e era este um
chefe dos publicanos e era rico.
3 E procurava ver quem era Jesus e no podia, por causa da
multido, pois era de pequena estatura.
4 E, correndo adiante, subiu a {ou a um sicmoro} uma figueira
brava para o ver, porque havia de passar por ali.
5 E, quando Jesus chegou quele lugar, olhando para cima, viu-o
e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque, hoje, me convm pousar em
tua casa.
6 E, apressando-se, desceu e recebeu-o com jbilo.
7 E, vendo todos isso, murmuravam, dizendo que entrara para ser
hspede de um homem pecador.
8 E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu
dou aos pobres metade dos meus bens; e, se em alguma coisa tenho
defraudado algum, o restituo quadruplicado.
9 E disse-lhe Jesus: Hoje, veio a salvao a esta casa, pois
tambm este  filho de Abrao.
10 Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia
perdido.
11 E, ouvindo eles essas coisas, ele prosseguiu e contou uma
parbola, porquanto estava perto de Jerusalm, e cuidavam que logo se
havia de manifestar o Reino de Deus.
12 Disse, pois: Certo homem nobre partiu para uma terra remota,
a fim de tomar para si um reino e voltar depois.
13 E, chamando dez servos seus, deu-lhes dez minas e
disse-lhes: Negociai at que eu venha.
14 Mas os seus concidados aborreciam-no e mandaram aps ele
embaixadores, dizendo: No queremos que este reine sobre ns.
15 E aconteceu que, voltando ele, depois de ter tomado o reino,
disse que lhe chamassem aqueles servos a quem tinha dado o dinheiro,
para saber o que cada um tinha ganhado, negociando.
16 E veio o primeiro dizendo: Senhor, a tua mina rendeu dez
minas.
17 E ele lhe disse: Bem est, servo bom, porque no mnimo foste
fiel, sobre dez cidades ters a autoridade.
18 E veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco
minas.
19 E a este disse tambm: S tu tambm sobre cinco cidades.
20 E veio outro, dizendo: Senhor, aqui est a tua mina, que
guardei num leno,
21 porque tive medo de ti, que s homem rigoroso, que tomas o
que no puseste e segas o que no semeaste.
22 Porm ele lhe disse: Mau servo, pela tua boca te julgarei;
sabias que eu sou homem rigoroso, que tomo o que no pus e sego o que
no semeei.
23 Por que no puseste, pois, o meu dinheiro no banco, para que
eu, vindo, o exigisse com os juros?
24 E disse aos que estavam com ele: Tirai-lhe a mina e dai-a ao
que tem dez minas.
25 E disseram-lhe eles: Senhor, ele tem dez minas.
26 Pois eu vos digo que a qualquer que tiver ser-lhe - dado,
mas ao que no tiver at o que tem lhe ser tirado.
27 E, quanto queles meus inimigos que no quiseram que eu
reinasse sobre eles, trazei-os aqui e matai-os diante de mim.
28 E, dito isso, ia caminhando adiante, subindo para Jerusalm.
29 E aconteceu que, chegando perto de Betfag e de Betnia, ao
monte chamado das Oliveiras, mandou dois dos seus discpulos,
30 dizendo: Ide  aldeia que est defronte e a, ao entrardes,
achareis preso um jumentinho em que nenhum homem ainda montou;
soltai-o e trazei-o.
31 E, se algum vos perguntar: Por que o soltais?, assim lhe
direis: Porque o Senhor precisa dele.
32 E, indo os que haviam sido mandados, acharam como lhes
dissera.
33 E, quando soltaram o jumentinho, seus donos lhes disseram:
Por que soltais o jumentinho?
34 E eles responderam: O Senhor precisa dele.
35 E trouxeram-no a Jesus; e, lanando sobre o jumentinho as
suas vestes, puseram Jesus em cima.
36 E, indo ele, estendiam no caminho as suas vestes.
37 E, quando j chegava perto da descida do monte das
Oliveiras, toda a multido dos discpulos, regozijando-se, comeou a
dar louvores a Deus em alta voz, por todas as maravilhas que tinham
visto,
38 dizendo: Bendito o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no cu
e glria nas alturas!
39 E disseram-lhe dentre a multido alguns dos fariseus:
Mestre, repreende os teus discpulos.
40 E, respondendo ele, disse-lhes: Digo-vos que, se estes se
calarem, as prprias pedras clamaro.
41 E, quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela,
42 dizendo: Ah! Se tu conhecesses tambm, ao menos neste teu
dia, o que  tua paz pertence! Mas, agora, isso est encoberto aos
teus olhos.
43 Porque dias viro sobre ti, em que os teus inimigos te
cercaro de trincheiras, e te sitiaro, e te estreitaro de todas as
bandas,
44 e te derribaro, a ti e a teus filhos que dentro de ti
estiverem, e no deixaro em ti pedra sobre pedra, pois que no
conheceste o tempo da tua visitao.
45 E, entrando no templo, comeou a expulsar todos os que nele
vendiam e compravam,
46 dizendo-lhes: Est escrito: A minha casa  casa de orao;
mas vs fizestes dela covil de salteadores.
47 E todos os dias ensinava no templo; mas os principais dos
sacerdotes, e os escribas, e os principais do povo procuravam mat-lo
48 e no achavam meio de o fazer, porque todo o povo pendia
para ele, escutando-o.

LUCAS-CAPITULO-20
1 E aconteceu, num daqueles dias, que, estando ele ensinando o
povo no templo e anunciando o evangelho, sobrevieram os principais dos
sacerdotes e os escribas com os ancios
2 e falaram-lhe, dizendo: Dize-nos: com que autoridade fazes
essas coisas? Ou quem  que te deu esta autoridade?
3 E, respondendo ele, disse-lhes: Tambm eu vos farei uma
pergunta: dizei-me, pois:
4 o batismo de Joo era do cu ou dos homens?
5 E eles arrazoavam entre si, dizendo: Se dissermos: do cu,
ele nos dir: Ento, por que o no crestes?
6 E, se dissermos: dos homens, todo o povo nos apedrejar, pois
tm por certo que Joo era profeta.
7 E responderam que no sabiam de onde era.
8 E Jesus lhes disse: Tampouco vos direi com que autoridade
fao isto.
9 E comeou a dizer ao povo esta parbola: Certo homem plantou
uma vinha, e arrendou-a a uns lavradores, e partiu para fora da terra
por muito tempo.
10 E, no devido tempo, mandou um servo aos lavradores, para que
lhe dessem dos frutos da vinha; mas os lavradores, espancando-o,
mandaram-no vazio.
11 E tornou ainda a mandar outro servo; mas eles, espancando
tambm a este e afrontando-o, mandaram-no vazio.
12 E tornou ainda a mandar um terceiro; mas eles, ferindo
tambm a este, o expulsaram.
13 E disse o senhor da vinha: Que farei? Mandarei o meu filho
amado; talvez, vendo-o, o respeitem.
14 Mas, vendo-o os lavradores, arrazoaram entre si dizendo:
Este  o herdeiro; vinde, matemo-lo, para que a herana seja nossa.
15 E, lanando-o fora da vinha, o mataram. Que lhes far, pois,
o senhor da vinha?
16 Ir, e destruir estes lavradores, e dar a outros a vinha.
E, ouvindo eles isso, disseram: No seja assim!
17 Mas ele, olhando para eles, disse: Que  isto, pois, que
est escrito? A pedra que os edificadores reprovaram, essa foi feita
cabea da esquina.
18 Qualquer que cair sobre aquela pedra ficar em pedaos, e
aquele sobre quem ela cair ser feito em p.
19 E os principais dos sacerdotes e os escribas procuravam
lanar mo dele naquela mesma hora; mas temeram o povo, porque
entenderam que contra eles dissera esta parbola.
20 E, trazendo-o debaixo de olho, mandaram espias que se
fingiam de justos, para o apanharem em alguma palavra e o entregarem 
jurisdio e poder do governador.
21 E perguntaram-lhe, dizendo: Mestre, ns sabemos que falas e
ensinas bem e retamente e que no consideras a aparncia da pessoa,
mas ensinas com verdade o caminho de Deus.
22 -nos lcito dar tributo a Csar ou no?
23 E, entendendo ele a sua astcia, disse-lhes: Por que me
tentais?
24 Mostrai-me uma moeda. De quem tem a imagem e a inscrio? E,
respondendo eles, disseram: De Csar.
25 Disse-lhes, ento: Dai, pois, a Csar o que  de Csar e a
Deus, o que  de Deus.
26 E no puderam apanh-lo em palavra alguma diante do povo; e,
maravilhados da sua resposta, calaram-se.
27 E, chegando-se alguns dos saduceus, que dizem no haver
ressurreio, perguntaram-lhe,
28 dizendo: Mestre, Moiss nos deixou escrito que, se o irmo
de algum falecer, tendo mulher e no deixar filhos, o irmo dele tome
a mulher e suscite posteridade a seu irmo.
29 Houve, pois, sete irmos, e o primeiro tomou mulher e morreu
sem filhos;
30 {E tomou-a} o segundo {por mulher, e ele morreu sem filhos.}
31 e o terceiro tambm a tomaram, e, igualmente, os sete. Todos
eles morreram e no deixaram filhos.
32 E, por ltimo, depois de todos, morreu tambm a mulher.
33 Portanto, na ressurreio, de qual deles ser a mulher, pois
que os sete por mulher a tiveram?
34 E, respondendo Jesus, disse-lhes: Os filhos deste mundo
casam-se e do-se em casamento,
35 mas os que forem havidos por dignos de alcanar o mundo
vindouro e a ressurreio dos mortos nem ho de casar, nem ser dados
em casamento;
36 porque j no podem mais morrer, pois so iguais aos anjos e
so filhos de Deus, sendo filhos da ressurreio.
37 E que os mortos ho de ressuscitar tambm o mostrou Moiss
junto da sara, quando chama ao Senhor Deus de Abrao, e Deus de
Isaque, e Deus de Jac.
38 Ora, Deus no  Deus de mortos, mas de vivos, porque para
ele vivem todos.
39 E, respondendo alguns dos escribas, disseram: Mestre,
disseste bem.
40 E no ousavam perguntar-lhe mais coisa alguma.
41 E ele lhes disse: Como dizem que o Cristo  Filho de Davi?
42 Visto como o mesmo Davi diz no livro dos Salmos: Disse o
SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te  minha direita,
43 at que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus ps.
44 Se Davi lhe chama Senhor, como  ele seu filho?
45 E, ouvindo-o todo o povo, disse Jesus aos seus discpulos:
46 Guardai-vos dos escribas, que querem andar com vestes
compridas e amam as saudaes nas praas, e as principais cadeiras nas
sinagogas, e os primeiros lugares nos banquetes;
47 que devoram as casas das vivas, fazendo, por pretexto,
largas oraes. Estes recebero maior condenao.

LUCAS-CAPITULO-21
1 E, olhando ele, viu os ricos lanarem as suas ofertas na arca
do tesouro;
2 e viu tambm uma pobre viva lanar ali duas pequenas moedas;
3 e disse: Em verdade vos digo que lanou mais do que todos
esta pobre viva,
4 porque todos aqueles deram como ofertas de Deus do que lhes
sobeja; mas esta, da sua pobreza, deu todo o sustento que tinha.
5 E, dizendo alguns a respeito do templo, que estava ornado de
formosas pedras e ddivas, disse:
6 Quanto a estas coisas que vedes, dias viro em que se no
deixar pedra sobre pedra que no seja derribada.
7 E perguntaram-lhe, dizendo: Mestre, quando sero, pois, essas
coisas? E que sinal haver quando isso estiver para acontecer?
8 Disse, ento, ele: Vede que no vos enganem, porque viro
muitos em meu nome, dizendo: Sou eu, e o tempo est prximo; no
vades, portanto, aps eles.
9 E, quando ouvirdes de guerras e sedies, no vos assusteis.
Porque  necessrio que isso acontea primeiro, mas o fim no ser
logo.
10 Ento, lhes disse: Levantar-se - nao contra nao, e
reino, contra reino;
11 e haver, em vrios lugares, grandes terremotos, e fomes, e
pestilncias; haver tambm coisas espantosas e grandes sinais do cu.
12 Mas, antes de todas essas coisas, lanaro mo de vs e vos
perseguiro, entregando-vos s sinagogas e s prises e conduzindo-vos
 presena de reis e governadores, por amor do meu nome.
13 E vos acontecer isso para testemunho.
14 Proponde, pois, em vossos coraes no premeditar como
haveis de responder,
15 porque eu vos darei boca e sabedoria a que no podero
resistir, nem contradizer todos quantos se vos opuserem.
16 E at pelos pais, e irmos, e parentes, e amigos sereis
entregues; e mataro alguns de vs.
17 E de todos sereis odiados por causa do meu nome.
18 Mas no perecer um nico cabelo da vossa cabea.
19 Na vossa pacincia, possu as vossas almas.
20 Mas, quando virdes Jerusalm cercada de exrcitos, sabei,
ento, que  chegada a sua desolao.
21 Ento, os que estiverem na Judia, que fujam para os montes;
os que estiverem no meio da cidade, que saiam; e, os que estiverem nos
campos, que no entrem nela.
22 Porque dias de vingana so estes, para que se cumpram todas
as coisas que esto escritas.
23 Mas ai das grvidas e das que criarem naqueles dias! Porque
haver grande aflio na terra e ira sobre este povo.
24 E cairo a fio de espada e para todas as naes sero
levados cativos; e Jerusalm ser pisada pelos gentios, at que os
tempos dos gentios se completem.
25 E haver sinais no sol, e na lua, e nas estrelas, e, na
terra, angstia das naes, em perplexidade pelo bramido do mar e das
ondas;
26 homens desmaiando de terror, na expectao das coisas que
sobreviro ao mundo, porquanto os poderes do cu sero abalados.
27 E, ento, vero vir o Filho do Homem numa nuvem, com poder e
grande glria.
28 Ora, quando essas coisas comearem a acontecer, olhai para
cima e levantai a vossa cabea, porque a vossa redeno est prxima.
29 E disse-lhes uma parbola: Olhai para a figueira e para
todas as rvores.
30 Quando j comeam a brotar, vs sabeis por vs mesmos,
vendo-as, que perto est j o vero.
31 Assim tambm vs, quando virdes acontecer essas coisas,
sabei que o Reino de Deus est perto.
32 Em verdade vos digo que no passar esta gerao at que
tudo acontea.
33 Passar o cu e a terra, mas as minhas palavras no ho de
passar.
34 E olhai por vs, para que no acontea que o vosso corao
se carregue de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e
venha sobre vs de improviso aquele dia.
35 Porque vir como um lao sobre todos os que habitam na face
de toda a terra.
36 Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais
havidos por dignos de evitar todas essas coisas que ho de acontecer e
de estar em p diante do Filho do Homem.
37 E, de dia, ensinava no templo e,  noite, saindo, ficava no
monte chamado das Oliveiras.
38 E todo o povo ia ter com ele ao templo, de manh cedo, para
o ouvir.

LUCAS-CAPITULO-22
1 Estava, pois, perto a Festa dos Pes Asmos, chamada de
Pscoa.
2 E os principais dos sacerdotes e os escribas andavam
procurando como o matariam, porque temiam o povo.
3 Entrou, porm, Satans em Judas, que tinha por sobrenome
Iscariotes, o qual era do nmero dos doze.
4 E foi e falou com os principais dos sacerdotes e com os
capites de como lho entregaria,
5 os quais se alegraram e convieram em lhe dar dinheiro.
6 E ele concordou e buscava oportunidade para lho entregar sem
alvoroo.
7 Chegou, porm, o dia da Festa dos Pes Asmos, em que
importava sacrificar a Pscoa.
8 E mandou a Pedro e a Joo, dizendo: Ide, preparai-nos a
Pscoa, para que a comamos.
9 E eles lhe perguntaram: Onde queres que a preparemos?
10 E ele lhes disse: Eis que, quando entrardes na cidade,
encontrareis um homem levando um cntaro de gua; segui-o at  casa
em que ele entrar.
11 E direis ao pai de famlia da casa: O mestre te diz: Onde
est o aposento em que hei de comer a Pscoa com os meus discpulos?
12 Ento, ele vos mostrar um grande cenculo mobilado; a
fazei os preparativos.
13 E, indo eles, acharam como lhes havia sido dito; e
prepararam a Pscoa.
14 E, chegada a hora, ps-se  mesa, e, com ele, os doze
apstolos.
15 E disse-lhes: Desejei muito comer convosco esta Pscoa,
antes que padea,
16 porque vos digo que no a comerei mais at que ela se cumpra
no Reino de Deus.
17 E, tomando o clice e havendo dado graas, disse: Tomai-o e
reparti-o entre vs,
18 porque vos digo que j no beberei do fruto da vide, at que
venha o Reino de Deus.
19 E, tomando o po e havendo dado graas, partiu-o e deu-lho,
dizendo: Isto  o meu corpo, que por vs  dado; fazei isso em memria
de mim.
20 Semelhantemente, tomou o clice, depois da ceia, dizendo:
Este clice  o Novo Testamento {ou Pacto} no meu sangue, que 
derramado por vs.
21 Mas eis que a mo do que me trai est comigo  mesa.
22 E, na verdade, o Filho do Homem vai segundo o que est
determinado; mas ai daquele homem por quem  trado!
23 E comearam a perguntar entre si qual deles seria o que
havia de fazer isso.
24 E houve tambm entre eles contenda sobre qual deles parecia
ser o maior.
25 E ele lhes disse: Os reis dos gentios dominam sobre eles, e
os que tm autoridade sobre eles so chamados benfeitores.
26 Mas no sereis vs assim; antes, o maior entre vs seja como
o menor; e quem governa, como quem serve.
27 Pois qual  maior: quem est  mesa ou quem serve?
Porventura, no  quem est  mesa? Eu, porm, entre vs, sou como
aquele que serve.
28 E vs sois os que tendes permanecido comigo nas minhas
tentaes.
29 E eu vos destino o Reino, como meu Pai mo destinou,
30 para que comais e bebais  minha mesa no meu Reino e vos
assenteis sobre tronos, julgando as doze tribos de Israel.
31 Disse tambm o Senhor: Simo, Simo, eis que Satans vos
pediu para vos cirandar como trigo.
32 Mas eu roguei por ti, para que a tua f no desfalea; e tu,
quando te converteres, confirma teus irmos.
33 E ele lhe disse: Senhor, estou pronto a ir contigo at 
priso e  morte.
34 Mas ele disse: Digo-te, Pedro, que no cantar hoje o galo
antes que trs vezes negues que me conheces.
35 E disse-lhes: Quando vos mandei sem bolsa, alforje ou
sandlias, faltou-vos, porventura, alguma coisa? Eles responderam:
Nada.
36 Disse-lhes, pois: Mas, agora, aquele que tiver bolsa,
tome-a, como tambm o alforje; e o que no tem espada, venda a sua
veste e compre-a;
37 porquanto vos digo que importa que em mim se cumpra aquilo
que est escrito: E com os malfeitores foi contado. Porque o que est
escrito de mim ter cumprimento.
38 E eles disseram: Senhor, eis aqui duas espadas. E ele lhes
disse: Basta.
39 E, saindo, foi, como costumava, para o monte das Oliveiras;
e tambm os seus discpulos o seguiram.
40 E, quando chegou quele lugar, disse-lhes: Orai, para que
no entreis em tentao.
41 E apartou-se deles cerca de um tiro de pedra; e, pondo-se de
joelhos, orava,
42 dizendo: Pai, se queres, passa de mim este clice; todavia,
no se faa a minha vontade, mas a tua.
43 E apareceu-lhe um anjo do cu, que o confortava.
44 E, posto em agonia, orava mais intensamente. E o seu suor
tornou-se em grandes gotas de sangue que corriam at ao cho.
45 E, levantando-se da orao, foi ter com os seus discpulos e
achou-os dormindo de tristeza.
46 E disse-lhes: Por que estais dormindo? Levantai-vos, e orai
para que no entreis em tentao.
47 E, estando ele ainda a falar, surgiu uma multido; e um dos
doze, que se chamava Judas, ia adiante dela e chegou-se a Jesus para o
beijar.
48 E Jesus lhe disse: Judas, com um beijo trais o Filho do
Homem?
49 E, vendo os que estavam com ele o que ia suceder,
disseram-lhe: Senhor, feriremos  espada?
50 E um deles feriu o servo do sumo sacerdote e cortou-lhe a
orelha direita.
51 E, respondendo Jesus, disse: Deixai-os; basta. E,
tocando-lhe a orelha, o curou.
52 E disse Jesus aos principais dos sacerdotes, e capites do
templo, e ancios que tinham ido contra ele: Sastes com espadas e
porretes, como para deter um salteador?
53 Tenho estado todos os dias convosco no templo e no
estendestes as mos contra mim, mas esta  a vossa hora e o poder das
trevas.
54 Ento, prendendo-o, o levaram e o meteram em casa do sumo
sacerdote. E Pedro seguia-o de longe.
55 E, havendo-se acendido fogo no meio do ptio, estando todos
sentados, assentou-se Pedro entre eles.
56 E como certa criada, vendo-o estar assentado ao fogo,
pusesse os olhos nele, disse: Este tambm estava com ele.
57 Porm ele negou-o, dizendo: Mulher, no o conheo.
58 E, um pouco depois, vendo-o outro, disse: Tu s tambm
deles. Mas Pedro disse: Homem, no sou.
59 E, passada quase uma hora, um outro afirmava, dizendo:
Tambm este verdadeiramente estava com ele, pois tambm  galileu.
60 E Pedro disse: Homem, no sei o que dizes. E logo, estando
ele ainda a falar, cantou o galo.
61 E, virando-se o Senhor, olhou para Pedro, e Pedro lembrou-se
da palavra do Senhor, como lhe tinha dito: Antes que o galo cante
hoje, me negars trs vezes.
62 E, saindo Pedro para fora, chorou amargamente.
63 E os homens que detinham Jesus zombavam dele, ferindo-o.
64 E, vendando-lhe os olhos, feriam-no no rosto e
perguntavam-lhe, dizendo: Profetiza-nos: quem  que te feriu?
65 E outras muitas coisas diziam contra ele, blasfemando.
66 E logo que foi dia, ajuntaram-se os ancios do povo, e os
principais dos sacerdotes, e os escribas, e o conduziram ao seu
conclio,
67 e lhe perguntaram: Se tu s o Cristo, dize-nos. Ele
replicou: Se vo-lo disser, no o crereis;
68 e tambm, se vos perguntar, no me respondereis, nem me
soltareis.
69 Desde agora, o Filho do Homem se assentar  direita do
poder de Deus.
70 E disseram todos: Logo, s tu o Filho de Deus? E ele lhes
disse: Vs dizeis que eu sou.
71 Ento, disseram: De que mais testemunho necessitamos? Pois
ns mesmos o ouvimos da sua boca.

LUCAS-CAPITULO-23
1 E, levantando-se toda a multido deles, o levaram a Pilatos.
2 E comearam a acus-lo, dizendo: Havemos achado este
pervertendo a nossa nao, proibindo dar o tributo a Csar e dizendo
que ele mesmo  Cristo, o rei. {ou um rei ungido}
3 E Pilatos perguntou-lhe, dizendo: Tu s o Rei dos judeus? E
ele, respondendo, disse-lhe: Tu o dizes.
4 E disse Pilatos aos principais dos sacerdotes e  multido:
No acho culpa alguma neste homem.
5 Mas eles insistiam cada vez mais, dizendo: Alvoroa o povo
ensinando por toda a Judia, comeando desde a Galilia at aqui.
6 Ento, Pilatos, ouvindo falar da Galilia, perguntou se
aquele homem era galileu.
7 E, sabendo que era da jurisdio de Herodes, remeteu-o a
Herodes, que tambm, naqueles dias, estava em Jerusalm.
8 E Herodes, quando viu a Jesus, alegrou-se muito, porque havia
muito que desejava v-lo, por ter ouvido dele muitas coisas; e
esperava que lhe veria fazer algum sinal.
9 E interrogava-o com muitas palavras, mas ele nada lhe
respondia.
10 E estavam os principais dos sacerdotes e os escribas
acusando-o com grande veemncia.
11 E Herodes, com os seus soldados, desprezou -o, e,
escarnecendo dele, vestiu-o de uma roupa resplandecente, e tornou a
envi-lo a Pilatos.
12 E, no mesmo dia, Pilatos e Herodes, entre si, se fizeram
amigos; pois, dantes, andavam em inimizade um com o outro.
13 E, convocando Pilatos os principais dos sacerdotes, e os
magistrados, e o povo, disse-lhes:
14 Haveis-me apresentado este homem como pervertedor do povo; e
eis que, examinando-o na vossa presena, nenhuma culpa, das de que o
acusais, acho neste homem.
15 Nem mesmo Herodes, porque a ele vos remeti, e eis que no
tem feito coisa alguma digna de morte.
16 Castig-lo-ei, pois, e solt-lo-ei.
17 E era-lhe necessrio soltar-lhes um detento por ocasio da
festa.
18 Mas toda a multido clamou  uma, dizendo: Fora daqui com
este e solta-nos Barrabs.
19 O qual fora lanado na priso por causa de uma sedio feita
na cidade e de um homicdio.
20 Falou, pois, outra vez Pilatos, querendo soltar a Jesus.
21 Mas eles clamavam em contrrio, dizendo: Crucifica-o!
Crucifica-o!
22 Ento, ele, pela terceira vez, lhes disse: Mas que mal fez
este? No acho nele culpa alguma de morte. Castig-lo-ei, pois, e
solt-lo-ei.
23 Mas eles instavam com grandes gritos, pedindo que fosse
crucificado. E os seus gritos e os dos principais dos sacerdotes
redobravam.
24 Ento, Pilatos julgou que devia fazer o que eles pediam.
25 E soltou-lhes o que fora lanado na priso por uma sedio e
homicdio, que era o que pediam; mas entregou Jesus  vontade deles.
26 E, quando o iam levando, tomaram um certo Simo, cireneu,
que vinha do campo, e puseram-lhe a cruz s costas, para que a levasse
aps Jesus.
27 E seguia-o grande multido de povo e de mulheres, as quais
batiam nos peitos e o lamentavam.
28 Porm Jesus, voltando-se para elas, disse: Filhas de
Jerusalm, no choreis por mim; chorai, antes, por vs mesmas e por
vossos filhos.
29 Porque eis que ho de vir dias em que diro: Bem-aventuradas
as estreis, e os ventres que no geraram, e os peitos que no
amamentaram!
30 Ento, comearo a dizer aos montes: Ca sobre ns! E aos
outeiros: Cobri-nos!
31 Porque, se ao madeiro verde fazem isso, que se far ao seco?
32 E tambm conduziram outros dois, que eram malfeitores, para
com ele serem mortos.
33 E, quando chegaram ao lugar chamado a Caveira, ali o
crucificaram e aos malfeitores, um,  direita, e outro,  esquerda.
34 E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque no sabem o que
fazem. E, repartindo as suas vestes, lanaram sortes.
35 E o povo estava olhando. E tambm os prncipes {ou
magistrados} zombavam dele, dizendo: Aos outros salvou; salve-se a si
mesmo, se este  o Cristo, o escolhido de Deus.
36 E tambm os soldados escarneciam dele, chegando-se a ele, e
apresentando-lhe vinagre,
37 e dizendo: Se tu s o Rei dos judeus, salva-te a ti mesmo.
38 E tambm, por cima dele, estava um ttulo, escrito em letras
gregas, romanas e hebraicas: ESTE  O REI DOS JUDEUS.
39 E um dos malfeitores que estavam pendurados blasfemava dele,
dizendo: Se tu s o Cristo, salva-te a ti mesmo e a ns.
40 Respondendo, porm, o outro, repreendia -o, dizendo: Tu nem
ainda temes a Deus, estando na mesma condenao?
41 E ns, na verdade, com justia, porque recebemos o que os
nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez.
42 E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares
no teu Reino.
43 E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estars
comigo no Paraso.
44 E era j quase a hora sexta, e houve trevas em toda a terra
at  hora nona,
45 escurecendo-se o sol; e rasgou-se ao meio o vu do templo.
46 E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mos
entrego o meu esprito. E, havendo dito isso, expirou.
47 E o centurio, vendo o que tinha acontecido, deu glria a
Deus, dizendo: Na verdade, este homem era justo.
48 E toda a multido que se ajuntara a este espetculo, vendo o
que havia acontecido, voltava batendo nos peitos.
49 E todos os seus conhecidos e as mulheres que juntamente o
haviam seguido desde a Galilia estavam de longe vendo essas coisas.
50 E eis que um homem por nome Jos, senador, homem de bem e
justo
51 (que no tinha consentido no conselho e nos atos dos
outros), natural de Arimatia, cidade dos judeus, e que tambm
esperava o Reino de Deus,
52 este, chegando a Pilatos, pediu o corpo de Jesus.
53 E, havendo-o tirado, envolveu-o num lenol e p-lo num
sepulcro escavado numa penha, {ou rocha} onde ningum ainda havia sido
posto.
54 E era o Dia da Preparao, e amanhecia o sbado.
55 E as mulheres que tinham vindo com ele da Galilia seguiram
tambm e viram o sepulcro e como foi posto o seu corpo.
56 E, voltando elas, prepararam especiarias e ungentos e, no
sbado, repousaram, conforme o mandamento.

LUCAS-CAPITULO-24
1 E, no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas
ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado e algumas
outras com elas.
2 E acharam a pedra do sepulcro removida.
3 E, entrando, no acharam o corpo do Senhor Jesus.
4 E aconteceu que, estando elas perplexas a esse respeito, eis
que pararam junto delas dois vares com vestes resplandecentes.
5 E, estando elas muito atemorizadas e abaixando o rosto para o
cho, eles lhe disseram: Por que buscais o vivente entre os mortos?
6 No est aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou,
estando ainda na Galilia,
7 dizendo: Convm que o Filho do Homem seja entregue nas mos
de homens pecadores, e seja crucificado, e, ao terceiro dia,
ressuscite.
8 E lembraram-se das suas palavras.
9 E, voltando do sepulcro, anunciaram todas essas coisas aos
onze e a todos os demais.
10 E eram Maria Madalena, e Joana, e Maria, me de Tiago, e as
outras que com elas estavam as que diziam estas coisas aos apstolos.
11 E as suas palavras lhes pareciam como desvario, e no as
creram.
12 Pedro, porm, levantando-se, correu ao sepulcro e,
abaixando-se, viu s os lenos ali postos; e retirou-se, admirando
consigo aquele caso.
13 E eis que, no mesmo dia, iam dois deles para uma aldeia que
distava de Jerusalm sessenta estdios, cujo nome era Emas.
14 E iam falando entre si de tudo aquilo que havia sucedido.
15 E aconteceu que, indo eles falando entre si e fazendo
perguntas um ao outro, o mesmo Jesus se aproximou e ia com eles.
16 Mas os olhos deles estavam como que fechados, para que o no
conhecessem.
17 E ele lhes disse: Que palavras so essas que, caminhando,
trocais entre vs e por que estais tristes?
18 E, respondendo um, cujo nome era Cleopas, disse-lhe: s tu
s peregrino em Jerusalm e no sabes as coisas que nela tm sucedido
nestes dias?
19 E ele lhes perguntou: Quais? E eles lhe disseram: As que
dizem respeito a Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em
obras e palavras diante de Deus e de todo o povo;
20 e como os principais dos sacerdotes e os nossos prncipes o
entregaram  condenao de morte e o crucificaram.
21 E ns espervamos que fosse ele o que remisse Israel; mas,
agora, com tudo isso,  j hoje o terceiro dia desde que essas coisas
aconteceram.
22  verdade que tambm algumas mulheres dentre ns nos
maravilharam, as quais de madrugada foram ao sepulcro;
23 e, no achando o seu corpo, voltaram, dizendo que tambm
tinham visto uma viso de anjos, que dizem que ele vive.
24 E alguns dos que estavam conosco foram ao sepulcro e acharam
ser assim como as mulheres haviam dito, porm, no o viram.
25 E ele lhes disse:  nscios e tardos de corao para crer
tudo o que os profetas disseram!
26 Porventura, no convinha que o Cristo padecesse essas coisas
e entrasse na sua glria?
27 E, comeando por Moiss e por todos os profetas,
explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras.
28 E chegaram  aldeia para onde iam, e ele fez como quem ia
para mais longe.
29 E eles o constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque j 
tarde, e j declinou o dia. E entrou para ficar com eles.
30 E aconteceu que, estando com eles  mesa, tomando o po, o
abenoou e partiu-o e lho deu.
31 Abriram-se-lhes, ento, os olhos, e o conheceram, e ele
desapareceu-lhes.
32 E disseram um para o outro: Porventura, no ardia em ns o
nosso corao quando, pelo caminho, nos falava e quando nos abria as
Escrituras?
33 E, na mesma hora, levantando-se, voltaram para Jerusalm e
acharam congregados os onze e os que estavam com eles,
34 os quais diziam: Ressuscitou, verdadeiramente, o Senhor e j
apareceu a Simo.
35 E eles lhes contaram o que lhes acontecera no caminho, e
como deles foi conhecido no partir do po.
36 E, falando ele dessas coisas, o mesmo Jesus se apresentou no
meio deles e disse-lhes: Paz seja convosco.
37 E eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum
esprito.
38 E ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que
sobem tais pensamentos aos vossos coraes?
39 Vede as minhas mos e os meus ps, que sou eu mesmo;
apalpai-me e vede, pois um esprito no tem carne nem ossos, como
vedes que eu tenho.
40 E, dizendo isso, mostrou-lhes as mos e os ps.
41 E, no o crendo eles ainda por causa da alegria e estando
maravilhados, disse-lhes: Tendes aqui alguma coisa que comer?
42 Ento, eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado e um
favo de mel,
43 o que ele tomou e comeu diante deles.
44 E disse-lhes: So estas as palavras que vos disse estando
ainda convosco: convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava
escrito na Lei de Moiss, e nos Profetas, e nos Salmos.
45 Ento, abriu-lhes o entendimento para compreenderem as
Escrituras.
46 E disse-lhes: Assim est escrito, e assim convinha que o
Cristo padecesse e, ao terceiro dia, ressuscitasse dos mortos;
47 e, em seu nome, se pregasse o arrependimento e a remisso
dos pecados, em todas as naes, comeando por Jerusalm.
48 E dessas coisas sois vs testemunhas.
49 E eis que sobre vs envio a promessa de meu Pai; ficai,
porm, na cidade de Jerusalm, at que do alto sejais revestidos de
poder.
50 E levou-os fora, at Betnia; e, levantando as mos, os
abenoou.
51 E aconteceu que, abenoando-os ele, se apartou deles e foi
elevado ao cu.
52 E, adorando-o eles, tornaram com grande jbilo para
Jerusalm.
53 E estavam sempre no templo, louvando e bendizendo a Deus:
Amm!
